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Monday, November 30, 2015

De Fernando Pessoa






Fernando Pessoa
créditos: Casa Fernando Pessoa, 2013

Pessoa, o poeta imortal, partiu há 30 anos, neste dia 30 Novembro 1935. Faz então oitenta anos. Mas Fernando Pessoa está cada vez mais presente numa obra inesgotável.

"I know not what tomorrow will bring". 

Pessoa escreveu esta frase no dia em que morreu, faz hoje 80 anos. 

Palavras de um outro desassossego pressentido? De uma vida cheia de livros, palavras e outros 'Pessoas' a habitar a cabeça do poeta. Palavras que esta noite se recordam na casa em que Pessoa morou nos últimos 15 anos da sua vida.

A Casa Fernando Pessoa assinala os "80 Anos da Morte de Fernando Pessoa e seus heterónimos" com Dias do Desassossego.




Bernardo Soares, ortónimo, é um dos meus mais íntimos companheiros de vida. Mas Alberto Caeiro, o heterónimo mais bucólico, tem sido a minha companhia nesta sagração de um Outono lindo, com laivos de verão. Doce. Luminoso. Sereno. Sol aconchegante.

Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas

Alberto Caeiro, Há Metafísica em Não Pensar Nada

Miosótis (pseudónimo)

30.11.2015
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Sunday, August 21, 2005

Fernando Pessoa & Heteronimia : Alberto Caeiro






O Poeta
caricatura: Costa Pinheiro


Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr-do-sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

(...)


E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr-do-sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

(...)


Saúdo todos que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva 8é precisa.
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.


Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, 8-3-1914

Ao Encontro de Fernando Pessoa, Antologia, Francisco Martins, 

Edições Asa, 1ª edição 1987

Miosótis (pseudónimo)

21.08.2005

actualizado 16.06.2024
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