
"Os factos não deixam de existir só por serem ignorados."
J. Sádaba
Cada ser voga ao saber da sua corrente que se transforma num caudal de imensas proporções. Nele só flutua a solidão feita Eu! E aí vai o Eu lutar muitas vezes com arrogância querendo a todo o custo anexar seu caudal àquele caudal suave, pequeno, sereno que percorre com dificuldade, mas tranquilamente seu caminho.
Não somos pequenas correntezas que podem ou não ser, consoante os dilúvios pessoais, inundadas segundo o engrossamento do curso das correntes maiores.
Há pequenos estuários pacíficos e calmos que apoiam como refúgio as águas mais extenuadas. Recompostas, elas seguirão seu curso com respeito, recato, em silêncio.
Assim, ao juntar-se por leves horas, indubitavelmente, à mínima pressão, sopro de vento, aragem de palavras, o suposto afecto de amizade ou afecto familiar, parte-se e desfaz-se em mil pedaços.
Tal como esta belíssima árvore de Natal elaborada minuciosamente em peças multicores de cristal Murano, um dos mais raros e distintos do mundo.
Cada peça existe por si só, tem um valor único e não acresce sua beleza apenas porque agregado a outras peças de semelhante série. As diferentes cores são já símbolo de identidade.
Morre a translúcida afeição familiar! Tirando raras excepções...! Meu respeito e muita admiração vão para esses oásis familiares.
Existe quase sempre o poder do Eu que soberbamente se quer impor!
Não entrem na correria da compra de presentes que nada representam se não houver sincero e singelo afecto. E só os dêem se com eles for todo o carinho sentido por vós e retribuído pelo ser que os recebe.
A partir do momento que as sociedades se deixaram invadir pelo contra valor do consumismo, esquecendo a verdadeira simbólica da fraternidade, a quadra do Natal - tradição, afecto, calor humano - sobrevive a muito custo.
Tenham pacíficos, leais e carinhosos dias de festas!
Distingam-se pela imensidão do afecto verdadeiro!
Miosótis (pseudónimo)
10.12.2006