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Friday, July 21, 2006

Fragmentos da noite com flores : um ano








A Verdade

Tu és bonita.

Tu és feita de sol.

Eu amo-te.


José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão, Temas & Debates, 1ª ed. Outubro de 2002


Um ano passou, desde a noite de 21 de Julho 2005 em que iniciei este meu espaço mais intimista. E foi assim...

Fiquei preso a ti pelos teus olhos doces, um pouco tristes, pelo teu sorriso do tamanho do mundo. 

Pedro Paixão, Ladrão de Fogo, Prime Books, 1ª ed., Abril 2005

Do mesmo livro, retirei a inspiração para a frase de apresentação que escrevi. Corresponde ao que pretendia e continuo a querer passar de mim.

Atravessava um desespero feito de mágoas que deixaram marcas desalentadas na alma.

Um ser que amava partiu em grande sofrimento, apesar da luta guerreira que travei para o agarrar à vida. Não quis! Desistiu. E, no entanto, fora um inigualável lutador toda a sua vida!

Um amor verdadeiro, sereno, infinito, escrito na memória dos tempos afastava-se. Aí, parei! Deixei de escrever. Calei.

Sofri em mim, comigo passearam , à beira ouvida do mar, os desassossegos de todos os tempos. O que os homens quiseram e não fizeram, o que mataram fazendo-o, o que as almas foram e ninguém disse - de tudo isto se formou a alma sensível com que passeei de noite à beira-mar.


Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, ed Ática, 1ª ed., 1982

Até que de mansinho, com a lentidão própria das almas recatadas, fui escrevendo alguns sentires.

Guardo a minha privacidade, bem precioso! É a minha essência! Não quero abrir mão.

Vamos deixando palavras que escolhemos para escrever, excertos que seleccionamos para exprimir alguns estados d'alma, imagens que visualizam a sensibilidade que nos toca. Deixamos, sem querer, passar pequenas résteas do que somos e do que sentimos.

São as impresssões digitais feitas de centelhas de sentimentos, afectos que teimamos resguardar, mas a força maior emanada da luz interior faz-nos soltar reflexos das fragrâncias do ser que somos. 

Transmitem a inteligência, as vivências, os afectos, mesmo que transfigurados. E, como tal, seja qual for a época e as circunstâncias, o importante é o pensamento que se solta, que reflecte a personalidade do ser.


Certo é. Não tento ser ou mostrar-me diferente do que sou, não forjei um arquétipo para fazer sonhar quem passa.

Tudo o que deixei entrever, eu Sou!

Vivo de utopias sim! E sou sempre eu, apesar das travessias de desertos. Longos.



Mesmo sabendo que o mundo acabaria amanhã, plantaria hoje a minha macieira.

Lutero, Sonhar! Ter fé! Helen Exley Giftbook, Editorial Estampa, 2002


Não quero terminar sem agradecer from the bottom of my heart a todos aqueles que poisaram palavras e o olhar em "fragmentos da noite com flores"


aos que deixaram suas pegadas ou não


aos que me dedicaram palavras de beleza sem par porque brotadas da alma


aos que me acolheram carinhosamente em seus espaços


aos que me amam sem me conhecerem nos caminhos que percorro


ao ser que é a sombra de meu ser e que afectuosamente vem, de vez em quando, poisar 
versos, escritos nos silêncios das noites lua de prata


O amor é uma companhia.

Já não sei andar só pelos caminhos,

porque já não posso andar só.
(...)

Alberto Caeiro, O amor é uma companhia, O Pastor Amoroso
, 10-07-1937


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, um ano, ao som de Ben Webster, Tenderly, Jazz Ballads, Membran Musics Ltd., 2004

21.07.2006

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