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Saturday, April 04, 2026

Páscoa indecisa

 





via Google Images Archive



QUEM


Não sei como se ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba
nem se há palavra para voltar
do grande rio do
esquecimento.
Não sei se no terceiro dia
alguém me espera. Ou se
ninguém.
Em cada poema levanto a pedra
em cada poema pergunto quem.


Manuel Alegre


Miosótis (pseudónimo)


fragmentosdatadecomflores


04.04.2026

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Saturday, April 19, 2025

Páscoa de Inverno ! Quão dificil, assim !

 




credits: Linda Puguese


Um dia de poemas na lembrança
(também meus)
Que o passado inspirou.
A natureza inteira a florir
No mais prosaico verso.
Foguetes e folares,
Sinos a repicar,(...)

Miguel Torga, Páscoa


Esta primavera chuvosa, gelada, tira-nos a alegria de vivenciar a Páscoa. Ventosa, rastros fortes de saraiva de neve... que é isto? Até os pássaros fugiram em silêncio, tentando não alertar a natureza desta intempérie 


Os bandos de pássaros que costumavam cruzar perto das janelas, em voos alegres e chilreantes. As rolas que já andavam a esvoaçar por perto, tudo desapareceu repentinamente. Este ano, nada se vê, mada se ouve. Só a chuva a bater nas janelas rasgadas para o horizonte. Plúmbeo


Foguetes e folares,
Sinos a repicar,
E a carícia lasciva e paternal
Do sol progenitor
Da primavera.(...)


Silêncio cortado pelas rajadas de vento. Não se ouvem foguetes, nem sinos a repicar.

Nem a carícia do sol progenitor da Primavera. Não há primavera...


Neste tempo de primavera anuncia-se a ausência do sol, do final de tarde ameno, dos pássaros que recolhem, em outras Páscoas, ao arvoredo.


Ficamos mais tristes. A melancolia penetra-nos. É como se a natureza nos esquecesse, mergulhando-nos na ausência das coisas belas que preechem os momentos ansiosos.


Será uma Páscoa fria. Já se sente. Como se não bastasse viver momentos tão difíceis!

(...)
Ah, quem pudera
Ser de novo
Um dos felizes
Desta aleluia!

Miguel Torga, Páscoa
in Diario XVI


Miosótis (pseudónimo)

19.04.2025
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Saturday, April 08, 2023

Páscoa mais leve !





credits: Country Living


Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

Mario Quintana, Canção do Dia de Sempre

Para que a Páscoa seja mais leve, para que a serenidade se afunde na alma, para que a delicadeza se espalhe entre as pessoas, inundada da visão das magnólias em flor, ao som do canto fresco dos pássaros. 

A Paz se adentre.


Miosótis (pseudónimo)

08.04.2023

Copyright ©2023-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Sunday, April 04, 2021

Páscoa ! Reflexão de um tempo sem fim !

 




"Não se pode dizer para a primavera: tomara que chegue logo e dure bastante.

Pode-se apenas dizer: venha, me abençoe com sua esperança, e fique o máximo de tempo que puder."

Paulo Coelho

O silêncio prolongou-se. E a contratemo, instalou-se mais do que o esperado. Silêncio é precioso. Um dom que devemos saber cultivar!

E num tempo de Primavera, soa ainda mais forte. Desmesuradamente longo.

Continuo por aqui. Mas não tão optimista. 

Valha-nos a Primavera que chegou luminosa, em tempos soltos, para os pássaros e para as flores.

Uma natureza vibrante que nos ensina o poder da renovação, na ausência das palavras.

Perante a sustentação do afastamento dos que amamos, das coisas que nos dão alegria, serenidade no gesto do pensamento, recebe-se o leve poisar da Primavera. E ficamos assim a ouvir esse silêncio mais cordato, harmonioso.

A este tempo, um outro tempo chegou. Páscoa

Reflexão. Tentamos a serenidade que os tempos difíceis não nos têm permitido. 

Que esta meditação perfeita, entre a beleza do olhar e o silêncio da alma, nos traga paz para o encontro diário com o nosso confinamento.

Miosótis (pseudónimo)

04.04.2021
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Saturday, April 20, 2019

Páscoa : A simbólica de Notre Dame de Paris !






Notre Dame de Paris
créditos: Benoît Tessier/ REUTERS





Pietà
Notre Dame de Paris
créditos: Christophe Petit Tesson/POOL/EPA-EFE/
REX/Shutterstock


"Tous les yeux s’étaient levés vers le haut de l’église. Ce qu’ils voyaient était extraordinaire. Sur le sommet de la galerie la plus élevée, plus haut que la rosace centrale, il y avait une grande flamme qui montait entre les deux clochers avec des tourbillons d’étincelles, une grande flamme désordonnée et furieuse dont le vent emportait par moments un lambeau dans la fumée."

Victor Hugo, in Notre Dame de Paris, 1831

O drama a que assistimos, comovidos, em directo pela televisão e nos media, levou-me a reler este excerto da obra de Victor Hugo O simbolismo que em Notre Dame se quiser encontrar, leva-nos sempre a Victor Hugo. E o excerto então! Premonição?

A acreditar no seu biógrafo Graham Robb, o que entusiasmava a maior parte dos turistas, era o costume de um guia que, apontando para uma janela junto à torre do lado do Sena, dizia a quem o seguia, que Victor Hugo ali havia escrito Notre-Dame de Paris.

Os homens, quando querem, fazem nascer lendas. Ou renascer das cinzas um novo amanhecer. Contudo, nada será igual ao que antes estava erguido. 

Ficam as memórias das visitas, ao local sagrado. A Pietà que me levava sempre a emudecer perante tal cruel dor, espelhada na expressão.






Première page du manuscrit 
de Notre-Dame de Paris (BNF)

Memórias alimentadas também pelo romance histórico Notre Dame de Paris (1831) de Victor Hugo, estudado, revisitado tantas vezes. 

E pelo filme que meus pais me referiram, quando muito mais tarde visitei pela  primeira vez a catedral. Notre Dame de Paris, do realizador francês Jean Delannoy (1956). 

Embora os especialistas considerem que a melhor adaptação de Notre Dame de Paris date de 1939, com realização do alemão William Dieterle, radicado nos Estados Unidos

As Gárgulas resistiram ao fogo. Que sejam elas a manter a magia desta catedral na sua reconstrução. 

Que a luz de Paris ilumine o negro que caiu sobre Notre-Dame de Paris.






E a meditação de Páscoa seja mais doce, para que a serenidade do tempo se refugie na alma, com encantamento, ao som do chilrear fresco dos pássaros. A Primavera adentra-se


Miosótis (pseudónimo)

20.04.2019

fragmentos da noite com flores
Copyright ©2019-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Saturday, March 26, 2016

Outro tempo : Páscoa



Easter

O silêncio prolonga-se. Instala-se. Cada dia que nasce traz a esperança de quere escrever. Sons em palavras. Falar de sentimentos, descrever emoções, impressões.

É verdade que a vida não é só um registo de memórias. Há os afectos. Como encontrar a forma simples de partilhar imagens doces, momentos únicos, guardados dentro de mim, num canto em que só eu chego?

Desmbarco aqui, onde posso contar de mim. Acompanho a progressão dos cheiros da primavera, tímida, num desfraldar de folhas secas  que o equinócio de vernal tenta afastar para longe.

Estes lapsos que se instalam no coração das palavras.

E chega a Páscoa. Tento romper a rosa-dos-ventos. Uma nova reflexão.

Busquemos a serenidade que os tempos indisciplinados nos retiram. Diferentes sentimentos surgem. 

Que esta espécie de meditação, entre serenidade e tormenta, nos convide à paz para o encontro diário com o outro. Com a vida.

Quem

Não sei como se ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba
nem se há palavra para voltar
do grande rio do
esquecimento.
Não sei se no terceiro dia
alguém me espera. Ou se
ninguém. (...)

Manuel Alegre, Quem (excerto)


Miosótis (pseudónimo)

26.03.2016
Copyright ©2016-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Tuesday, April 15, 2014

Páscoa, um tempo sem pássaros





Cherry tree blossom
 Photo: CHSZ Preservation Society/AFP/Getty Images

Gosto do culto de Sakura. A flor de cerejeira associada ao éfemero da vida. A mesma filosofia que vi e me fez gostar do filme Último Samurai

Sei que as cerejeiras se situam perto dos templos budistas. 

Talvez por isso, monges e cientistas se unam em torno do mistério cósmico da cerejeira que cresceu de uma semente. Uma semente que permaneceu a bordo da International Space Station (ISS) durante oito meses. Acaba de florir, alguns anos mais cedo do que natureza prevê. E com flores surpreendentes. 

Falo da cerejeira junto do templo Ganjoji, na cidade de Gifu, Japão.

Porém, um outro mistério se adensa por cá. Que é feito dos pássaros? Esta primavera tardia, pouco segura, está ainda mais triste. Silenciosa! 

Não há pássaros. Os bandos de pássaros que costumavam cruzar bem perto da minha janela, em voos migração. E os pássaros que chilreavam nas madrugadas, nos ramos das árvores.

Que é feito dos pássaros? Por que não cantam eles? Cantaram prematuramente nas noites de Novembro?

Lembram, ainda a noite se mostrava fria, e já os pássaros rondavam por aqui, alta madrugada, chilreando alegres, pueris, perto da minha janela. Tinha mesmo um pássaro cantador que voltava a cada primavera.

Fugiram ao frio ? Emigraram para terras mais aprazíveis? Oh ! Não ! Fazem-me falta. Os pássaros, e os seus chilreios. Traziam-me alegria na noite, davam-me paz ao entardecer, força de viver a primavera pela manhã.

O silêncio prolonga-se. Instala-se. O silêncio é bom, eu sei, por vezes, quando cultivado no momento certo! Ouve-se a alma com tranquildade.

Mas já me perco na minha interioridade ! Sem pássaros, as pausas são ainda mais longas.

Neste tempo de primavera pascal que se anuncia, a ausência dos pássaros faz-nos repensar a vida. É como se a a natureza nos esquecesse, e nos mergulhasse na ausência das coisas belas que enchem o mundo.

Será uma Páscoa mais triste, com certeza . Como se não bastasse viver num país de semblantes cerrrados.

Senhor, trazei os pássaros de volta !

Para que a meditação de Páscoa seja mais doce, para que a serenidade do tempo se refugie na alma, com encantamento, ao som do canto fresco dos pássaros. E a paz se adentre.


Erguei o nosso ser à transparência 
Para podermos ler melhor a vida 
Para entendermos vosso mandamento 
Para que venha a nós o vosso reino 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos (...)

Sophia Mello Breyner, A paz sem vencedores nem vencidos

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
(introspecção de Páscoa)

15.04.2014
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Friday, March 29, 2013

Páscoa, um outro tempo





O silêncio prolongou-se. Instalou-se mais do que o tempo esperado. Mas silêncio é precioso e um dom que devemos saber cultivar! Para deixar que a alma se exprima! 

Há anos que sofro de interioridade. Por vezes, me perco nela! 
É como ouvir as pausas entre os sons. As pausas fazem parte integrante da  música. Então o silêncio é sentimento!

E num tempo de primavera desmedidamente enganoso, frio, desconfortante, o silêncio começa a incomodar perante uma natureza que não reage, não vibra, e nos mergulha ainda mais na ausência das palavras.


A este tempo, um outro tempo se aproxima. Páscoa. Uma outra reflexão.

Nesta Páscoa, tentamos a serenidade que os tempos difíceis não têm permitido. 

Diferentes sentimentos surgem e passam, e cada um apenas expressa a sua própria natureza. 



Que esta meditação, entre a serenidade que nos é pedida, e o silêncio da alma nos convida, nos traga paz para o encontro diário com o nosso eu. E com o outro.

A meu favor tenho o teu olhar 
testemunhando por mim 


(...)

Protege-me com ele, com o teu olhar, 
dos demónios da noite e das aflições do dia, 
fala em voz alta, não deixes que adormeça, 
afasta de mim o pecado da infelicidade. 

Manuel António Pina, Completas

in 'Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância'

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
(introspecção de Páscoa)

29.03.2013
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Licença Creative Commons



Saturday, April 03, 2010

Silêncios !





via União Budista 


O silêncio é o mais precioso dom do ser humano! Deixa que oiçamos a voz da alma! Não é a essência a mais profunda partícula do Ser? 

O estar só pode sentir-se bem, quando a pressente pelo silêncio que se faz em  volta. E mais do que nada, dentro de nós! 

Há anos que venho contactando com o meu silêncio ... e sinto-me bem! 

As pausas não são música? Então o silêncio só pode ser música! A mais bela, porque a interioridade está lá por inteiro.

Sei o que é o contacto com a fragilidade física de um ser a quem amamos! 

Esses momentos nos fazem reflectir ainda mais, se possível, na trivialidade do quotidiano da vida. E, por vezes, nessa reflexão, ouvimos os nossos gritos mudos.

Perante a serenidade do gesto que aceita o leve poisar da flor, emudecemos. E ficamos assim a ouvir esse silêncio harmonioso.

Que esta meditação perfeita entre a beleza do olhar e o silêncio da alma nos traga paz para o encontro diário com o nosso eu.


Miosótis (pseudónimo)

Fragmentos da noite com flores
(introspecção de Páscoa)

03.04.2010
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Saturday, April 15, 2006

Páscoa & Tradições



Fotografia: Srdjan Zivulovic/Reuters

http://news.yahoo.com/photos/

"Mil são as espécies de homens, e mil os seus hábitos. Cada um tem seu próprio querer, e vive com um sentimento que nem todos partilham." (...)


Nuno Júdice, Relendo Pérsio, Cartografia de Emoções, 
Publicações Dom Quixote, 2001

 
Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite, sábado chuvoso


15.04.2006
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