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Sunday, April 04, 2021

Páscoa ! Reflexão de um tempo sem fim !

 




"Não se pode dizer para a primavera: tomara que chegue logo e dure bastante.

Pode-se apenas dizer: venha, me abençoe com sua esperança, e fique o máximo de tempo que puder."

Paulo Coelho

O silêncio prolongou-se. E a contratemo, instalou-se mais do que o esperado. Silêncio é precioso. Um dom que devemos saber cultivar!

E num tempo de Primavera, soa ainda mais forte. Desmesuradamente longo.

Continuo por aqui. Mas não tão optimista. 

Valha-nos a Primavera que chegou luminosa, em tempos soltos, para os pássaros e para as flores.

Uma natureza vibrante que nos ensina o poder da renovação, na ausência das palavras.

Perante a sustentação do afastamento dos que amamos, das coisas que nos dão alegria, serenidade no gesto do pensamento, recebe-se o leve poisar da Primavera. E ficamos assim a ouvir esse silêncio mais cordato, harmonioso.

A este tempo, um outro tempo chegou. Páscoa

Reflexão. Tentamos a serenidade que os tempos difíceis não nos têm permitido. 

Que esta meditação perfeita, entre a beleza do olhar e o silêncio da alma, nos traga paz para o encontro diário com o nosso confinamento.

Miosótis (pseudónimo)

04.04.2021
Copyright ©2021-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com



Sunday, November 29, 2020

A propósito de René Magritte : Ode a minha mãe no céu azul-claro

 




The Palace of Curtains III
René Magritte, 1928-1929

"In this work Magritte presents the equivalent visual and verbal signs for the concept ciel (French for "sky") in two identically shaped panels."

MoMA

Céu! O conceito visual ciel de Magritte preencheu o domingo de confinamento. Obrigatório.

A manhã comecou linda. Luminosa. Céu limpo, num tom azul-claro próprio do Outono, quase Inverno. Mas, azul! 

E foi esse céu azul, enquanto não se esbateu em nuvens cinza-claro que deu vida a este entre paredes. 

Lá alto, por entre esses tons pastel, busquei como que o afago do sorriso de minha mãe. E daqueles olhos seus, azul-claro.

Dia do seu aniversário. Veio mais viva a lembrança de seu sorriso doce. A falta de seu olhar azul-claro, poisado no meu rosto. Quanta ternura acolhedora!

Silêncios marejados de lágrimas de saudade. Fugi deste encerramento entre paredes, buscando seu rosto. No azul-claro do céu.

E o céu azul-claro, enquanto não varrido pelas nuvens cinza-claro, - tudo em tons pastel, tal como Magritte pintou- trasmitiu-me paz.

(...)

Small clouds are sailing,
Blue sky prevailing;
The rain is over and gone!

Maya Angelou, Written in March

Miosótis (pseudónimo, dedicado a minha mãe)

29.11.2020
Copyright ©2020-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

Saturday, March 26, 2016

Outro tempo : Páscoa



Easter

O silêncio prolonga-se. Instala-se. Cada dia que nasce traz a esperança de quere escrever. Sons em palavras. Falar de sentimentos, descrever emoções, impressões.

É verdade que a vida não é só um registo de memórias. Há os afectos. Como encontrar a forma simples de partilhar imagens doces, momentos únicos, guardados dentro de mim, num canto em que só eu chego?

Desmbarco aqui, onde posso contar de mim. Acompanho a progressão dos cheiros da primavera, tímida, num desfraldar de folhas secas  que o equinócio de vernal tenta afastar para longe.

Estes lapsos que se instalam no coração das palavras.

E chega a Páscoa. Tento romper a rosa-dos-ventos. Uma nova reflexão.

Busquemos a serenidade que os tempos indisciplinados nos retiram. Diferentes sentimentos surgem. 

Que esta espécie de meditação, entre serenidade e tormenta, nos convide à paz para o encontro diário com o outro. Com a vida.

Quem

Não sei como se ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba
nem se há palavra para voltar
do grande rio do
esquecimento.
Não sei se no terceiro dia
alguém me espera. Ou se
ninguém. (...)

Manuel Alegre, Quem (excerto)


Miosótis (pseudónimo)

26.03.2016
Copyright ©2016-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Wednesday, March 23, 2016

Bruxelles, je t'aime !




cartoon: X vb/ Instagram


(...)
e queremos gritar e na garganta 
o grito se desvanece: 
desembocamos no silêncio 
onde os silêncios emudecem.

Octávio Paz, Silêncio

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

22.03.2016
Copyright ©2016-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®


Saturday, November 14, 2015

Paris, je t'aime !


illustration : Morgane Sezalory



Miosótis (pseudónimo)

14.11.2015
Copyright ©2015-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 



Tuesday, April 15, 2014

Páscoa, um tempo sem pássaros





Cherry tree blossom
 Photo: CHSZ Preservation Society/AFP/Getty Images

Gosto do culto de Sakura. A flor de cerejeira associada ao éfemero da vida. A mesma filosofia que vi e me fez gostar do filme Último Samurai

Sei que as cerejeiras se situam perto dos templos budistas. 

Talvez por isso, monges e cientistas se unam em torno do mistério cósmico da cerejeira que cresceu de uma semente. Uma semente que permaneceu a bordo da International Space Station (ISS) durante oito meses. Acaba de florir, alguns anos mais cedo do que natureza prevê. E com flores surpreendentes. 

Falo da cerejeira junto do templo Ganjoji, na cidade de Gifu, Japão.

Porém, um outro mistério se adensa por cá. Que é feito dos pássaros? Esta primavera tardia, pouco segura, está ainda mais triste. Silenciosa! 

Não há pássaros. Os bandos de pássaros que costumavam cruzar bem perto da minha janela, em voos migração. E os pássaros que chilreavam nas madrugadas, nos ramos das árvores.

Que é feito dos pássaros? Por que não cantam eles? Cantaram prematuramente nas noites de Novembro?

Lembram, ainda a noite se mostrava fria, e já os pássaros rondavam por aqui, alta madrugada, chilreando alegres, pueris, perto da minha janela. Tinha mesmo um pássaro cantador que voltava a cada primavera.

Fugiram ao frio ? Emigraram para terras mais aprazíveis? Oh ! Não ! Fazem-me falta. Os pássaros, e os seus chilreios. Traziam-me alegria na noite, davam-me paz ao entardecer, força de viver a primavera pela manhã.

O silêncio prolonga-se. Instala-se. O silêncio é bom, eu sei, por vezes, quando cultivado no momento certo! Ouve-se a alma com tranquildade.

Mas já me perco na minha interioridade ! Sem pássaros, as pausas são ainda mais longas.

Neste tempo de primavera pascal que se anuncia, a ausência dos pássaros faz-nos repensar a vida. É como se a a natureza nos esquecesse, e nos mergulhasse na ausência das coisas belas que enchem o mundo.

Será uma Páscoa mais triste, com certeza . Como se não bastasse viver num país de semblantes cerrrados.

Senhor, trazei os pássaros de volta !

Para que a meditação de Páscoa seja mais doce, para que a serenidade do tempo se refugie na alma, com encantamento, ao som do canto fresco dos pássaros. E a paz se adentre.


Erguei o nosso ser à transparência 
Para podermos ler melhor a vida 
Para entendermos vosso mandamento 
Para que venha a nós o vosso reino 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos (...)

Sophia Mello Breyner, A paz sem vencedores nem vencidos

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
(introspecção de Páscoa)

15.04.2014
Copyright ©2014-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Friday, March 29, 2013

Páscoa, um outro tempo





O silêncio prolongou-se. Instalou-se mais do que o tempo esperado. Mas silêncio é precioso e um dom que devemos saber cultivar! Para deixar que a alma se exprima! 

Há anos que sofro de interioridade. Por vezes, me perco nela! 
É como ouvir as pausas entre os sons. As pausas fazem parte integrante da  música. Então o silêncio é sentimento!

E num tempo de primavera desmedidamente enganoso, frio, desconfortante, o silêncio começa a incomodar perante uma natureza que não reage, não vibra, e nos mergulha ainda mais na ausência das palavras.


A este tempo, um outro tempo se aproxima. Páscoa. Uma outra reflexão.

Nesta Páscoa, tentamos a serenidade que os tempos difíceis não têm permitido. 

Diferentes sentimentos surgem e passam, e cada um apenas expressa a sua própria natureza. 



Que esta meditação, entre a serenidade que nos é pedida, e o silêncio da alma nos convida, nos traga paz para o encontro diário com o nosso eu. E com o outro.

A meu favor tenho o teu olhar 
testemunhando por mim 


(...)

Protege-me com ele, com o teu olhar, 
dos demónios da noite e das aflições do dia, 
fala em voz alta, não deixes que adormeça, 
afasta de mim o pecado da infelicidade. 

Manuel António Pina, Completas

in 'Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância'

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
(introspecção de Páscoa)

29.03.2013
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Licença Creative Commons



Wednesday, June 03, 2009

Silêncios





Solitaire in Silence
painting : artista não identificado
http://artpridenj.com/

«É tão fundo o silêncio entre as estrelas.

Nem o som da palavra se propaga,

Nem o canto das aves milagrosas.

Mas lá, entre as estrelas, onde somos

Um astro recriado, é que se ouve

O íntimo rumor que abre as rosas.»


José Saramago


in Provavelmente Alegria *


Miosótis (pseudónimo)

Fragmentos da noite de silêncios

03.06.2009
Copyright ©2009-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

* transcrito aqui

Wednesday, September 10, 2008

Memória : 11 Setembro 2001 ! Respeito !






 
The New York State Senate


Estávamos no dia 11 de Setembro de 2001. Em Portugal era hora do almoco. Olhava-se distraidamente as notícias que passavam na televisão. Mas esse início de tarde de terça-feira, aparentemente normal, em final de Verão, foi violentamente sacudida pelos sons de choque e horror. 

No ecrã, imagens reais de um avião, seguidoi logo de outro que embateram com violência nas duas torres gémeas do World Trade Center.





credits: Robert Giroux/Getty Images
via ABC News





Remembering New York 2 towers



National September 11 Memorial & Museum, 
Squared Design Lab
credits: AP
https://images.huffingtonpost.com/





September 11, 2001
credits: REUTERS/Shannon Stapleton (United States)
www.news.yahoo.com/


"A borboleta continuará a pairar sobre o campo e as gotas de orvalho ainda brilharão sobre a relva quando as pirâmides do Egipto estiverem destruídas e não mais existirem os arranha-céus de Nova York."

Gibran Kahlil (1883-1931)


Meu tributo emocionado, após o horror a que pude assistir, via televisão.

Preces por todos os que partiram. Almas desesperadas que partiram. Respeito.


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite lacrimosa com flores 

11.09.2008

actualizado: 10.09.2021
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