Saturday, February 15, 2020

A propósito de Oscars ! Decepções ? Algumas !





Joaquin Phoenix
Melhor Actor Principal 
Joker
credits: Getty Images
via FoxNews

"I think that we’ve become very disconnected from the natural world and many of us, what we’re guilty of is an egocentric world view. A belief that we are the center of the universe."

Joaquin Phoenix







Joaquin Phoenix
Joker
Todd Phillips, 2019

O esperado Melhor Actor PrincipalJoaquin Phoenix, no filme Joker. Sem sombra de dúvidas. Fabulosa interpretação. E uma tremenda transformação física. Arrepiante.

Chegámos então à noite dos Oscars. A noite de todos os sonhos. E de tantas decepções. O brilho, a magia, esses têm ficado pelo caminho.

Outros tempos. Outros interesses. Alguma demagogia?




Bong Joon Ho, produtor & actores
credits: Chris Pizzello/ AP
via the Independent.co.uk

Primeira decepção? Oscar para Melhor Filme, Parasite, entregue por Jane FondaParasitas

Certo. Palme d'Or no conceituado Festival de Cannes 2019. É o festival dedicado ao cinema experimentalista. Um festival engagé. Sempre o foi. Mas nos Oscars?!

Premiado nos SAG Awards, galardão do Sindicato dos Atores dos EUA, Melhor Elenco de Filme. Também, venceu nos Golden Globes como Melhor Filme Estrangeiro. Tudo bem. Mas, Hollywood


Parasite
Bong Joon Ho, 2019

Vi o filme. Com algum sacrifício, devo confessar. Parasite não conseguiu agarrar-me. Embora com forte mensagem política e social. Senti-me desligada das personagens, um pouco entediada. Uma amálgama de sentimentos dispares. Resisti, e fiquei até ao final. Saí da sala decepcionada, quase enfadada. E a cena final, macabra, à la Tarantino.




Oscars 2020
credits: Getty Images

92ª Cerimónia Oscars 2020 foi difundida pelos canais FOX. Sem surpresas, depois de 2019. E em live stream tv free no canal ABC que dificultava bastante aos cinéfilos que chegavam da Europa. Sobretudo oriundos dos países da UE. 

A cerimónia dos Oscars é sempre algo que seduz. Sobretudo, os apreciadores de cinema. Embora o nível audiências continue a descer. Culpa? Mas, bom, eu adoro cinema. E lá estive, frente ao televisor, bem instalada. Sem pipocas. Até ser vencida pelo sono.



The Irishman
Martin Scorsese, 2019
The Oscars 2020

Mais decepções? Tantas ausências! Consagrados nomes. Actrizes, actores, realizadores. E o glamour? 

Poucos resistentes, presentes. Al Pacino, Robert de Niro (não escondeu seu enfado), actores já galardoados. Nomeados, mais uma vez, em The Irishman - filme nomeado - de Martin Scorsese. Quando será este imenso realizador reconhecido como deve ser?

Bem, pelo menos o realizador sul-coreano Bong Joon Ho, premiado, prestou-lhe homenagem ao receber o Oscar de Melhor Realizador. Nem Scorsese esperava!

apresentação da cerimónia, feita por nomes ligados ao cinema, nas suas várias áreas, permitiu colmatar algumas das críticas feitas. Só em parte.

A não nomeação de mulheres realizadoras foi demasiado notória. Apenas Greta Gerwig fez questão de estar presente. E muito bem!




Greta Gerwig, Saoirse Ronan, Margot Robbie
credits: © Selfie 

Realizadora de Little Women, filme baseado no livro de Louisa May Alcott. Nomeado para Melhor Filme (ao menos isso). A competição era renhida. Mas sair apenas com o Oscar de Costume Design, entregue à sua criadora, Jacqueline Durran?





Natalie Portman
credits: Robyn Beck/ AFP 
via Getty Images

E até Natalie Portman fez da sua capa, um protesto à ausência de mulheres realizadoras nas nomeações. Gravados os nomes das realizadoras ignoradas. No entanto, a(s) crítica(s) fizeram-se ouvir no sentido de a citarem como 'hipócrita'(?) 
Algo que não ficou bem. A briga gerada entre Portman e a actriz activista Rose McGowan. 

Voltando aos filmes nomeados. Alguns ainda não exibidos nas salas de cinema. É o caso de The Irishman, outros disponíveis em vésperas da cerimónia. Mas vi alguns outros, com ou sem nomeações.




Judy
Rupert Goold, 2019

Dos filmes nomeados com actrizes premiadas que ainda não vi: Judy, baseado nos últimos anos de vida da actriz e cantora Judy Garland. E Marriage Story, com interpretações das conceituadas actrizes, Renée Zellweger, Melhor Actriz PrincipalLaura Dern, Melhor Actriz Secundária, respectivamente.





Renée Zellweger
credits: Getty Images
Judy
Rupert Goold, 2019





Laura Dern
credits: Rob Lstour/ Shuterstock
Marriage Story
Noah Baumbach, 2019


Vi Once upon a time in Hollywood de Quentin Tarantino. Gostei imenso. Divertido, numa história de amor a Hollywood, mas bem ao jeito de Tarantino! Bastante mais equilibrado. Brad Pitt, Melhor Actor Secundário. Merecido. Está no seu melhor!

E vi também Pain and Glory, filme autobiográfico de Pedro Almodóvar no registo intimista em que se teu pautado nos seus últimos filmes. Antonio Banderasnomeação para Melhor Actor. Galardoado nos Bafta Awards





Richard Jewell
Clint Eastwood, 2019

E dois filmes baseados em factos reais de uma América recente. Richard Jewell, contado por Clint Eastwood em estilo documental. Eastwood é excelente (como sempre), na narrativa dos 'vícios' do seu país. E não só. Um dos meus realizadores favoritos. 

Sobressaem imenso as interpretações dPaul Walter Hauser e a notável Kathy Bates. Nomeação Melhor Actriz Secundária.

BombshellBom! Baseado nos factos reais que abalaram o sistema de Hollywood. Sem muito a acrescentar, mas com excelentes interpretações de Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie. E talvez a verdade sobre alguns factos. Não seria de esperar outra coisa, já que Charlize Theron é produtora do filme.






Não vi ainda 1917 de Sam Mendes. Nao vou perder, claramente. O grande derrotado da noite. Tinha nove nomeações. Inesperado. E talvez injusto. Para mim, sem dúvida. Conheço Sam Mendes de outros filmes, e alguns bons actores que fazem parte do elenco. Collin Firth ou Benedict Cumberbatch.





Ford vs. Ferrari
James Mangold, 2019

Esquecidos? Christian Bayle, em Ford vs. Ferrari, em Portugal, Le Mans '66: o Duelo. Nomeado nos Golden Globes, Melhor Actor. Mas ignorado nos Bafta e Oscars 2020. E, no entanto, uma fabulosa interpretação na recriação do célebre racer de Formula I, Carroll Shelby. Bale é um dos melhores actores da nova geração.

Richard Jewell de Clint Eastwood, embora com uma nomeação para a fantástica Kathy Batescomo Melhor Actriz Secundária.


Enfim, quase uma semana, após a Cerimónia dos Oscars. Mas, há ainda filmes a ver...


Miosótis (pseudónimo) 

15.02.2020
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Saturday, January 25, 2020

Les Cesars 2020 : Cartaz homenageia Anna Karina





Affiche 45e Cérimonie des Cesars 2020
© Photographie : Georges Dambier 1959

"Une femme sublime, souriante, élégante, et tournée vers l’avenir : une immense actrice !"

Les Cesars 2020

A 45e Cérimónie des Cesars divulgou ontem, 24 Janeiro, o cartaz que homenageia o ícone da Nouvelle Vague, Anna Karina.

A actriz Anna Karina, musa de Jean-Luc Godard, símbolo da Nouvelle Vaguemorreu no final de 2019, 14 Dezembro, em Paris.

A Cerimónia de l'Académie des Arts et Techniques du Cinéma terá lugar na mítica sala Pleyel no dia 28 Fevereiro 2020, pelas 21:30, com transmissão directa via Canal +

"Anna Karina était la magnifique incarnation de la femme à la fois libertaire et ingénue. Ce mélange savoureux, cette beauté incandescente, l'évidence d'un immense talent d'actrice, ont alimenté nombre de films des grands réalisateurs de la Nouvelle Vague : Rivette, Varda, Visconti, Schlöndorff... et évidemment Godard, avec qui elle a tourné pas moins de 7 films."


Anna Karina foi companheira de Jean-Luc Godard, numa relação intensa, mas complexa.


Sob a sua direcção, Karina interpretou sete filmes. Entre eles, o marcante Pierrot Le Fou que Festival de Cannes homenageou na sua 71ª edição,  neste Cartaz do Festival. Belíssimo.





Cartaz Cannes 2018
Anna Karina & Jean-Paul Belmondo
Pierrot le Fou
© Photographie : Georges Pierre

As nomeações para Les César 2020 serão anunciadas no dia 29 Janeiro. 
Até lá, fiquemos com estas duas imagens encantadoras. 

"Je crois qu’on est toujours responsable de ce qu’on fait, et libre,"

Anna Karina, Vivre sa Vie (1962)


Miosótis (pseudónimo)

25.01.2020

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Sunday, December 22, 2019

Natal : A mais terna das noites





créditos: Tyler Delgado
via My Habitat



Eu vinha, pé ante pé, em busca da pequena porta
que dava acesso aos mistérios da noite,
daquela noite em particular, por ser a mais terna
de todas as noites que a minha memória
era capaz de guardar, com letras e sons,
no seu bojo de coisas imateriais e imperecíveis.
Tinha comigo os cães e os retratos dos mortos,
a lembrança de outras noites e de outros dias,
os brinquedos cansados da solidão dos quartos,
os cadernos invadidos pêlos saberes inúteis.
E todos me diziam que era ainda muito cedo,
porque a meia-noite morava já dentro do sono,
no território dos anjos e dos outros seres alados,
hora inatingível a clamar pela nossa paciência,
meninos hirtos de olhos fixos na claridade
enganadora de uma árvore sem nome. 

(...)


José Jorge Letria, Natal

Miosótis (pseudónimo)

22.12.2019


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Wednesday, November 06, 2019

Novembro : Lembrando Sophia & Jorge de Sena ! 100 anos





Sophia Mello Breyner
créditos: Daniel Rocha
via Público


A respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres.
A folhagem cerrada das roseiras
Sophia, Novembro
«Eles escreveram, eles foram e são lidos. São estudados, são citados. Eles celebram o seu centenário entre estes primeiros dias do mês de novembro — assim, no presente, porque é preciso resistir “um pouco mais à morte que é de todos e virá” e, mesmo que se morra, “o poema encontrará uma praia onde quebrar suas ondas”.» 
in Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andresen: A Amizade, A Obra e a  Vida numa Conversa para ouvir em Cartas e Versos
Ninguém melhor para falar de Novembro do que Sophia de Mello Breyner. Nascida, neste dia, 6 Novembro, expressou Novembro tão poeticamente.

“Comecei a escrever numa noite de Primavera, uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter — nem podia desfazer-me em noite, fundir-me na noite”.

Sophia, Obra Poética

Nesta semana de Novembro, nasceram dois grandes vultos das letras e cultura portuguesa. Sophia e Jorge de Sena. Celebram-se 100 anos do nascimento destes autores, em 1919.

Sophia tem com merecimento um Centenário Nacional a decorrer. Sena, com igual merecimento, a pátria amada continua a negar-lhe o reconhecimento. Até depois da morte.


Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço

A pouca sorte de nascido nela. 

Sena, A Portugal



Jorge de Sena
créditos: Eduardo Gageiro

Jorge de Sena nasceu no dia 2 Novembro e Sophia neste dia, 6 Novembro. Os dois em 1919.


Escrevi sempre sem ter consciência disso, quando era criança. E por volta de quando tinha 16 anos comecei a escrever conscientemente de que escrevia”,
Sena
"Há mesmo quem compare as várias e justas celebrações do centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen com as escassas iniciativas a propósito do centenário de Jorge de Sena, quatro dias mais velho do que Sophia."
Francisco Sarsfield Cabral



Jorge de Sena & Sophia Mello Breyner 
créditos: via Público


Recordem-se Sophia e Jorge de Sena. Sophia sempre viveu em Portugal. Sena exilado desde
 muito novo. Primeiro no Brasil, e depois nos Estados onde foi professor universitário.

Novembro de 1919. Apenas quatro dias separam os nascimentos de Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andresen, que viriam a crescer poetas. E poetas amigos, próximos,  apesar dos quilómetros que os separavam.

"A verdade é que Sophia e Sena eram admiradores mútuos e grandes amigos. Em 2006 foi publicado um livro (ed. Guerra & Paz) bem interessante, com a correspondência entre ambos."

Francisco Sarsfield Cabral

Apenas me vou focar na poesia que os unia. Tanto mais haveria a escrever. A música, as artes plásticas, o cinema.

O mar une-os. Talvez por isso eu os admire tanto! Não, não só. O mar foi de Sena e de Sophia, por diferentes motivos. O mar que os dois escreveram.


Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
Sophia, Mar

Conheço o sal que resta em minha mãos.
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
Sena, Conheço o Sal

É quase difícil distinguir a poesia de Sophia e Sena sobre o mar!

Estes dois grandes vultos das letras portuguesas do século XX mantiveram em vida, uma profunda amizade que ficou registada. Entre outros escritos, na correspondência regular, desde o final dos anos 50, após o exílio de Sena, e que constitui não só uma obra da literatura e da estética, como um retrato da época, até aos anos 70.





Sophia de Mello Breyner
Jorge de Sena 
Correspondência de 1959-1970
editora Guerra & Paz

Desculpe o longo silêncio: você sabe que eu tenho a maior vocação para falar ao telefone e nenhuma vocação para escrever cartas.
Aliás ando terrivelmente dispersa sem conjugar ideias.

Sophia, Correspondência


Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla… em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
Jorge de Sena, Uma Pequena Luz Bruxuleante


Apagando a distância, Sena e Sophia falaram de tudo um pouco. Mas é notória a discussão em torno das suas obras e dos percursos criativos de cada um. Pelo meio das cartas surgiam, então, pedaços de poesia.

Belos instantes, neste sombrio mês de Novembro. Lembrar Sophia e Jorge de Sena!



Homenagem Google Doodle 103º Aniversário de Sophia Mello Breyner
doodler: Matthew Cruickshank

Neste dia, 06 de Novembro 2022, Google faz uma homenagem a esta grande poeta portuguesa com um Doodle alusivo à temática Mar, tão presente na sua obra

“When I die I will return to seek

The moments I did not live by the sea.”


Poem by Sophia de Mello Breyner which inspired the Doodle artwork


Fragmentos da noite com flores 

Miosótis (pseudónimo)

06.11.2019

actualizado 06.11.2022
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