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Saturday, December 25, 2021

Natal ! E Dezembro florirá de novo !





credits One Kindesign


"Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar."

Manuel Alegre, Natal

Uma pandemia que continua a tirar-nos quase tudo... quando pensávamos regressar perto da 'normalidade', eis que mais um Natal se aproxima com mil e uma precauções, bolhas familiares, testes, máscaras, mesmo em família.

Natal. Falavam-nos de amor familiar. E daí o Natal nos trazer o desejo de alegria. E com essa alegria, a vontade de valorizar a família. Os risos àmesa, As correrias das crianças. As longas conversas dos mais velhos.

Hoje. Difícil de praticar.

Surge um pensamento. Natal é época da família. Sem bolhasm sem testes, sem receios de contagiar os mais velhos. 

Como o Natal se transformou! Limpar a alma, equilibrar energias. Não dá, fazem-nos falta os nossos.

Ergamos ao menos as mãos, Estamos bem. Temos saúde, Os nossos estão bem, embora cada um nas suas casas.

No mundo, tantas pessoas estão bem mais infelizes do que nós. Campos de refugiados, morte, medo, doença. 

Vamos viver o Natal com alegria que ainda nos resta, com a serenidade que precisamos. 

(,,,)
Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.(...)

Manuel Alegre, Natal
in Antologia Poética 


Miosótis (pseudónimo)

24.12.2021

Copyright ©2021-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®


Sunday, December 22, 2019

Natal : A mais terna das noites





créditos: Tyler Delgado
via My Habitat



Eu vinha, pé ante pé, em busca da pequena porta
que dava acesso aos mistérios da noite,
daquela noite em particular, por ser a mais terna
de todas as noites que a minha memória
era capaz de guardar, com letras e sons,
no seu bojo de coisas imateriais e imperecíveis.
Tinha comigo os cães e os retratos dos mortos,
a lembrança de outras noites e de outros dias,
os brinquedos cansados da solidão dos quartos,
os cadernos invadidos pêlos saberes inúteis.
E todos me diziam que era ainda muito cedo,
porque a meia-noite morava já dentro do sono,
no território dos anjos e dos outros seres alados,
hora inatingível a clamar pela nossa paciência,
meninos hirtos de olhos fixos na claridade
enganadora de uma árvore sem nome. 

(...)


José Jorge Letria, Natal

Miosótis (pseudónimo)

22.12.2019


Copyright ©2019-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®



Saturday, December 17, 2016

Tempo de Natal Não Esquecido ! E tão querido !








Tiffany NY Christmas window
via Google Images Archive




Ode aos Natais Esquecidos

Eu vinha, pé ante pé, em busca da pequena porta 
que dava acesso aos mistérios da noite, 
daquela noite em particular, por ser a mais terna 
de todas as noites que a minha memória 
era capaz de guardar, com letras e sons, 
no seu bojo de coisas imateriais e imperecíveis. 
Tinha comigo os cães e os retratos dos mortos, 
a lembrança de outras noites e de outros dias, 
os brinquedos cansados da solidão dos quartos, 
os cadernos invadidos pelos saberes inúteis. 
E todos me diziam que era ainda muito cedo, 
porque a meia-noite morava já dentro do sono, 
no território dos anjos e dos outros seres alados, 
hora inatingível a clamar pela nossa paciência, 
meninos hirtos de olhos fixos na claridade 
enganadora de uma árvore sem nome. 

José Jorge Letria, Natal
(excerto) 


Não. Para mim os natais da minha infância não estão esquecidos. Foi a parte mais suave e mais bonita da minha vida. 

Infância protegida, acarinhada, rodeada de muitos irmãos, todos rapazes, sendo eu a mais novinha, e de meus pais. Ah! E de minha avó materna. A única que pude conhecer. 

Avó Beatriz, loira com fios brancos, mulher guerreira, e que de tanta doçura me rodeou. Sua neta mais querida, dizia. A neta que a acompanhava na quinta, durante as férias da Páscoa ou de verão, e se levantava de madrugada para a acompanhar à missa da aldeia, hoje cidade, lá no Mosteiro. Nas terras do Minho, fronteira com Trás-os-Montes.

Mas no Natal, avó Beatriz vinha para a cidade e juntava-se aos netos todos. Mas a noite de Natal, ela preferia partilhar da nossa alegria, excitação, na espera das doze badaladas. 

Muito ensonados, saltávamos das camas, abríamos as portas dos quartos. E corríamos escadaria abaixo até ao verde pinheiro. Os rapazes mais indomáveis, deslizavam, velozes, pelo corrimão de madeira.

Que teria deixado o Pai Natal para cada um de nós? 

A casa era imensa, telhado com clarabóia, lá no topo. Perfeito para as renas que puxavam o trenó poisarem e repousarem.

Havia vários fogões de sala. Portanto, a chaminé era grande, larga. Ideal para o Pai Natal passar com o seu imenso saco e cair directamente no fogão da sala grande, denominado salão, no primeiro piso, onde se encontrava a árvore de verde pinho. A cadela Nina, uma Serra da Estrela, seguia-nos nessa excitação toda, companheira de todas as brincadeiras.

E meus pais, olhavam docemente, sorrindo cúmplices, ao observar os nossos olhos maravilhados, encadeados nas luzes da árvore de verde pinho. E nas prendas. Ouviam os nossos gritos Oh! de estupefacção - como poderia o Pai Natal ter recebido a nossa cartita? - e os nosso risos de alegria soltavam-se. E fingiam-se tão admirados quanto nós.

Até que um dia a morte entrou de rompante em nossa casa. E levou meu irmão, o mais novo dos rapazes. Mal fizera treze anos.

O Natal não voltou a ser o mesmo. O Pai Natal voltava. Mas já não ríamos despreocupados e felizes. Até Nina se tornara mais quieta. Ela que pressentira a noite em que a morte rondou a nossa casa. Uivou lamuriosa, incessantemente.

Meus pais já não sorriam. Havia muita tristeza no seu olhar. Avó Beatriz tornou-se mais calada.

A grande emoção da nossa infância perdera-se com a partida de meu irmão.

Hoje, lembro todos. Muitos partiram. Tão precocemente! Avó Beatriz, meus pais. Eu não passava de uma miúda. A morte de meu irmão marcou seus corações. Não resistiram muitos anos. 

Mais tarde, há dez anos, meu irmão mais velho desistiu da vida. Meu grande amigo partiu, sem resistir. 

Todos juntos, assim acredito. Sinto. Olhando-me com ternura. Anjos protectores.

Nesta lembrança linda mesclada de tristeza, lembro os meninos de Alepo que já não choram. Meninos hirtos, de olhos fixos na claridade do fogo das armas que os matam, mutilam, traumatizam. 

Pecado dos senhores das guerras que roubam os natais às crianças de Alepo. 

Crianças que nunca terão lembranças doces de infância. Natais felizes, no aconchego do amor de seus pais. Em paz. Sem guerra. 

Orfãos de pais, de amor, de paz. Percorrem as ruas, tentam fugir do inferno da guerra, perdidos. Sem pais, sem irmãos, sem brinquedos. 

Gostaria de crer, de novo, que o mundo se transformará para o Bem. E que os valores do respeito pela vida, voltarão ao coração dos Homens e das Mulheres de boa  vontade! Mas já não creio.


Miosótis (pseudónimo)

17.12.2016
Copyright ©2016-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

Thursday, December 24, 2015

Natal em noite de lua cheia







Natal é tempo de muita coisa. Tempo de palavras, tempo de virtudes. Tempo de lindas lembranças.

Natal é tempo de reflexão. Medito no tempo que passa. Tempo de generosidade para com os outros e para connosco, também.

Natal é tempo de paz.  E Natal também é tempo de benevolência. Mas não nos enganemos, que esta benevolência nem sempre se mantém...

Natal é tempo de amor. E o amor não se deve traduzir em presentes. Natal é tempo de afectos. Afectos que se devem manter no dia-a-dia, na palavra, no gesto, na presença, no pensamento enviado. 

Natal é tempo de fraternidade. E de sorrisos doces. Não apenas porque é Natal. 

Natal é tempo de família. Sem dúvida. Mas de família unida, feliz por estar. Não
por uma noite. 

Natal é tempo de esperança, e é a esperança que mr faz acreditar e ousar dizer, que Natal é tempo de tudo o que há de Bom em todos nós.

E Natal é noite de Lua Cheia que este ano nos vai brindar durante a noite que vai ser mais especial. Natal em noite de Lua Cheia. 

Não, não é a Estrela de Belém que guiou os Reis Magos. Mas tem o seu significado místico. Aproveitemos para celebrar as nossas boas energias. E levantemos nossos mais íntimos desejos. Bem alto.

Feliz Natal!

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos de Natal, em noite de lua cheia

24.12.2015
Copyright ©2015-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 


Monday, December 22, 2014

Tempo de Natal






crédits: Mark and Spencer

Natal de novo ! Nestas últimas noites, o pensamento vagueou, incerto na conjugação dos afectos. Uns se renovam outros se apagam. 

Foi um tempo de mudança ao longo dos meses. Pedaços de vida, sentido sufocado, algumas tristezas, mas  recomeço. Vulnerável. A golpes de coração.

Ciclos de vida, se diz. Não sei. Apenas colho, como quem poupa as lembranças. O passado se desvanecendo. O presente lentamente desenha algo. Impreciso.

É então Natal. Como dizer, tempo de luzes. Lá fora a música soa levando-nos para outros espaços. Melodias intemporais que trazem os sons da infância. Alegria. Sonho. Sons de ternura.

Natal! Adoro a luz das velas, os aromas da canela, a cor das romãs, o sabor das nozes. Tempo de paladares fortes.Castanhos da cor de avelã. E amarelos da cor de açafrão. A intensidade do gengibre. E tisanas ao final da noite, aromatizadas com mel.


Na casa, os espaços ficam mais acolhedores. O simples pinheiro de Natal ornamentado de luzes pequeninas e enfeites alusivos traz um pulsar mais perfeito?


Enfim, é Natal. Lá fora o sol dá um brilho diferente este ano. Que bom ! O azul na paisagem , torna as noites menos frias. Mais suaves. 

Já não lembrava um Natal assim! Na verdade, os desafectos ficam mais leves enquanto olho o azul do firmamento que se adentra pelas janelas.

Falar do maravilhoso é mais fácil. Que digo eu? Uma espécie de loucura? Não. 

Afundada no sofá da sala, vou desenhando com o pensamento a melhor maneira de recuperar o maravilhoso das noites de Natal. Em família.

De repente a mudança? Para melhor. Quem sabe?

Este ano, é urgente o encantamento. E o Natal aproxima-se com toda a tradição literária do maravilhoso nos contos de Natal.

Tempo de deixar minha mensagem. Paz. Saúde. Afectos. Para todos os que me visitam

O meu carinho muito especial vai para os amigos fiéis. Que vão rareando.

Tudo tem um recomeço. Ponham convicção, brilho no olhar. E deixem acontecer Natal. 

Felizes Festas !

Miosótis (pseudónimo)

22.12.2014
Copyright ©2014-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

Monday, December 23, 2013

E Natal é





Tempo com odores de doçaria, e de memória(s). Afectos com cores. Natal.

Tempo de luzes e velas, dos linhos, dos madeiros e de romãs. Encarnado, castanho-dourado, verde-musgo. Cores de ternura.

Là fora, o vento solta-se e bate com força, em sons de desalinho, entre o tempo coado de azevinho, mel e erva doce.

Um a  um, aromas e afectos colho-os, como se fosse o tempo dos frutos. Limito-me a saborear o momento. E deixo partir o ano lentamente.


Numa cidade de portas fechadas, abro então esta pequena janela para os amigos. Porque é tempo de deixar uma mensagem. Com carinho.


Natal de Paz. 


Miosótis (pseudónimo)

23.12.2013
Copyright ©2013-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

Sunday, December 23, 2012

Natal com flores de macieira





Matt Cardy | Getty Images


É Natal! E que escrever? Que Natal acontece? Ando por aqui. Os dedos poisam no teclado. Paralisados.

Nas noites o silêncio faz-se ainda mais profundo. Percorro as palavras, busco sons, oiço risos de crianças? Não! Nos espaços que percorro, só oiço crianças que choram. O meu país já não tem crianças alegres.

E Natal não é para as crianças? Pois eu então quero falar de crianças. O mundo cresce de maneira anárquica, quase perversa. E as crianças não têm nele um lugar bem definido.

Mães que não são mães. Arrastam crianças como fardos, indiferentes, descuidadas, olham as montras, não olham as crianças.

É como se o coração gelasse. E os dedos não reagem. Que civilização é esta? E recolho-me envergonhada, entristecida, nesta noite quase Natal!

Peço inspiração, medito.

E que escrever perante o olhar dessas vinte crianças que, confiantes, preparavam o Natal entre lápis de cor.

Ergo então uma prece. Peço aos anjos lá no Universo que, nessa noite, desçam mais perto desses pais, e permitam que eles oiçam o riso de seus filhos correndo pela casa, felizes, porque a noite de Natal chegou.

Anoiteceu, apagamos a luz, e depois
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.
(...)


Manuel António Pina, Como se desenha uma casa
Assírio & Alvim, 2011 (excerto)


Para todos que passarem neste lugar de afectos e palavras, votos de um Natal em paz!

Miosótis (pseudónimo)

23.12.2012
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Licença Creative Commons

Saturday, December 24, 2011

Tempo de introspecção




Lady Justice

Raphael



Deito-me à sombra da árvore sem sombra - a árvore

cujas raízes nascem da infância - e é natural, e

nunca mais chega a meia-noite

dessa noite sem fim. Rezo pelas

mais obscuras incertezas, pelas almas que

hesitam nas encruzilhadas, pelos vagabundos que

esperam a meia-noite para se sentarem à porta da igreja,

na única noite em que têm onde se sentar. Aprendi

com eles o destino dos passos humanos, a ausência

de deus nos caminhos do mundo, o silêncio

do céu nas noites sem lua. (...)



Nuno Júdice, Natal

in Cartografia de Emoções, Publicações Dom Quixote, 2001, 1ª edição



Impossível esquecer todos aqueles que este ano estarão ainda mais carenciados! É só olhar o que se passa à nossa volta... 


Quero crer que o mundo se transformará lentamente. E que os  valores voltarão ao coração dos Homens e das Mulheres de boa  vontade!


Fraterno Natal!

Bom Ano 2012!


Miosótis (pseudónimo)

24.12.2011
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Tuesday, December 22, 2009

Noite de Paz




Conselho de Arcanjos
Bulgária - séc. XIV



Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza, 
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia, 
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego, 
dos pastos. 
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria, 
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes, 
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos, 
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos, 
Pela futura manhã dos grandes transparentes, 
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna, 
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz, 
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

Natália Correia, Ode à Paz
O Sol nas Noites e o Luar nos Dias, II
ProJornal, 1993


Votos de Sereno Natal!


 Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, Kate Melua, Have yourself a merry little Chrstimas

22.12.2009

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Wednesday, December 24, 2008

Natal com Fraternidade




REUTERS|Brendan McDermid (UNITED STATES)
http://lh3.ggpht.com/

É verdade! É um contrasenso depois de tudo o que pratico, mas gosto de olhar o Natal em Rockfeller Center! As imagens são sempre divinais! E as pessoas mostram-se alegres ao partilhar de momentos tão encantatórios. Luzes, movimento, câmaras, música, gente célebre, televisão! Talvez se sintam ilusoriamente menos sós durante a celebração do Natal em Rockfeller Center!

[...] Nova Iporque sempre me pareceu um lugar impessoal, o auge da impersonalidade, e, por isso, extremamente tentador.


Agustina Bessa-Luís, Nova Iorque

Podem ser meras ilusões, mas o que é certo é que os novaiorquinos vibram, deixam-se envolver pela magia, sorriem com prazer e passeiam no meio da multidão para por momentos fazer parte de um colectivo quase quente e amistoso.


Quantas pessoas passarão solitariamente o Natal em Nova Iorque?!

E aqui, no nosso país, na nossa cidade, por trás de uma janela, mesmo ao virar da esquina, no nosso prédio, nosso andar... quantas!?
E nós?!




\
AP Photo/Julie Jacobson 2008



Gosto das pessoas como elas são e dá-me imenso prazer - cada vez mais - ser agradável e gostar de quem não vale grande coisa. De outra forma sentir-me-ia muito só neste mundo.

Agustina Bessa-Luís, Pessoas

Sim, as pessoas acabam por juntar-se em espaços públicos, mesmo não sentindo a sintonia com as outras pessoas, apenas para não estar sós...



AP Photo/Julie Jacobson 2008



O mistério da vida cumpre-se em cada homem de uma forma única. A harmonia depende possivelmente de que deveríamos impor menos as fórmulas de felicidade, que é bom senso de raros, e aceitar redimensionando-a pela responsabilidade própria, a incoerência de todos.

Agustina Bessa-Luís, Solidão das Personagens

O mundo vive momentos muito difíceis. Mas, talvez por isso mesmpo as pessoas precisam mais do sonho para enfrentar a vida!

E por que não sonhar a fraternidade?!


AP Photo/Diane Bondareff
http://por-img.cimcontent.net/

Nada mais difícil neste mundo do que perceber da fraternidade humana. Somos livres para ajuizar, mas mão somos livres para decidir o afecto que nos é prometido. Isso, ou o merecemos, ou não.
A fraternidade é uma causa boa, mas também é a mais intocável das esperanças até parecer a mais intangível das ilusões. É um mistério da vontade, e não uma proposta da inteligência.

Agustina Bessa-Luís, Fraternidade

Opera Omnia, Dicionário Imperfeito, Guimarães Editores, Lisboa, Junho 2008





Quero crer que o sentimento de Fraternidade será uma causa tocável e que não estarão longe os tempos em que os Homens se irão juntar numa vontade una!

Fraterno Natal para toda a Humanidade num futuro muito próximo!

Que as guerras deixam de dividir os povos!

Que a luz de uma vela branca se ilumine em cada uma das nossas casas, partilhando de uma movimento universal pacifista!

Fraterno Natal para si!


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite mais especial do ano, 


24.12.2008



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Licença Creative Commons  

Monday, December 25, 2006

Dia de Natal



Igreja da Natividade/ Bethlehem

Fotografia: Kevin Frayer/AP 2006


Natal à Beira-Rio

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó Noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra,
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?


David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988, Editorial Presença, Lisboa 1988


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos de uma noite de Natal sóbria e intimista
25.12.2006
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