"In this work Magritte presents the equivalent visual and verbal signs for the concept ciel (French for "sky") in two identically shaped panels."
MoMA
Céu! O conceito visual ciel de Magritte preencheu o domingo de confinamento. Obrigatório.
A manhã comecou linda. Luminosa. Céu limpo, num tom azul-claro próprio do Outono, quase Inverno. Mas, azul!
E foi esse céu azul, enquanto não se esbateu em nuvens cinza-claro que deu vida a este entre paredes.
Lá alto, por entre esses tons pastel, busquei como que o afago do sorriso de minha mãe. E daqueles olhos seus, azul-claro.
Dia do seu aniversário. Veio mais viva a lembrança de seu sorriso doce. A falta de seu olhar azul-claro, poisado no meu rosto. Quanta ternura acolhedora!
Silêncios marejados de lágrimas de saudade. Fugi deste encerramento entre paredes, buscando seu rosto. No azul-claro do céu.
E o céu azul-claro, enquanto não varrido pelas nuvens cinza-claro, - tudo em tons pastel, tal como Magritte pintou- trasmitiu-me paz.
"I was heartbroken to learn this morning of the passing of Sir Sean Connery. Our nation today mourns one of her best loved sons."
Nicola Sturgeon, Primeira-Ministra da Escócia,
na sua conta Twitter
Morreu Sean Connery. O actor escocês, que se notabilizou no papel de James Bond, morreu nesta madrugada de sábado, nas Bahamas. Tinha feito 90 anos, no dia 25 Agosto passado.
Sean Connery
Sean Connery: Bond/ Never Say Never Again
credits: Sheila Penn/Sygma via Getty Images
Sean Connery on the set of the 1983 Bond movie Never Say Never Again. Photograph: Sheila Penn/Sygma via Getty Ima
Sean Connery foi o primeiro e carismático actor a dar vida a 007-James Bond no cinema. Protagonizou o papel de espião britânico, em sete filmes. Todos com sucesso. Tornando-se, assim, uma referência para todos os actores que se lhe seguiram.
Não era o meu tipo de filme, mas a partir do último filme em que reapareceu, suponho que Never Say Never Again (1983), fui vendo alguns. Até chegar à 'era' de Daniel Craig.
A carreira de actor ficou marcada por vários outros papéis. E uma longa carreira cinrmatográfica. Foi galardoado com um Oscar, dois Bafta e três Golden Globes.
Foi, por exemplo, pai de Indiana Jones, ou melhor, Professor Henry "Indiana" Jones, Jr., em Indiana Jones The Last Cruzade (1989).
A sua enorme filmografia não caberia nesta postagem. Nem é esta, a minha intenção. Apenas prestar uma singela homenagem a este senhor do cinema, e relembrar dois ou três filmes que me marcaram.
Sean Connery no filme de espionagem The Russia House (1990) com Michelle Pfeiffer. Baeado no livro homónimo de John Le Carré. A Casa da Rússia, um clássico da literatura de espionagem sobre as relações entre a Grã-Bretanha e a Rússia nos tempos da Cortina de Ferro.
Há um momento do filme em que o serviço secreto britânico localiza Blair (Sean Connery) em Lisboa:
Outros dois ilmes de Sir Sean Connery que gostei mesmo. O Nome da Rosa, 1986, baseado no livro com o mesmo título O Nome da Rosa de Umberto Eco. Um dos meus escritores favoritos. Lera o livro e fiquei curiosa de ver a adaptação ao cinema.
Num mosteiro franciscano em Itália, paira a suspeita de que os monges estejam a cometer heresias. Frei Guilherme de Baskerville (Sean Connery) é, então, enviado para investigar o caso, mas tem sua missão interrompida por excêntricos assassinatos. O enredo passa-se no século XIV, com referências históricas e filosóficas, já que Eco era historiador e professor na Universidade de Bologna.
Vale muito a pena ler o livro. Excelente para quem gosta de História desta época.
E Finding Forrester ( 2000) que adorei! Uma história linda acerca da amizade entre um escritor talentoso, mas pouco conhecido, William Forrester (Sean Connery), e um estudante negro, Jamal Wallace (Rob Brown), selecionado para entrar n área basketball, numa conceituada universidade americana.
Vencedor de um Prémio Pulitzer, Forrester cruza-se com Jamal e apercebe-se do talento especial do jovem para escrever. Procura incentivá-lo a seguir esse caminho ensinando-o na técnica da escrita. Termina recebendo, também, algumas lições de vida.
Eugénio de Andrade, in "Poesia", Assírio & Alvim, 2017
E Outono voltou! Aspira-se o tempo ainda com o aroma de Verão. Torna mais doce esta passagem abrupta de dias quentes, cheios de luz, para uma frescura que já pede algum agasalho.
Um Outono que traz folhas soltas, e árvores quase desnudadas, apesar das cores quentes, ocre, amarelo, à mistura com algum verde. Ainda.
Hai-Kai de Outono
Uma borboleta amarela? Ou uma folha seca Que se desprendeu e não quis pousar?
Mario Quintana
Sentiu-o de imediato. Outono, olhando-o pela janela. Sol pálido na paisagem.
O Setembro foi ainda doce, apesar de alguma chuva. Nada de atropelar a vida. Viver o dia que chega. Sem pensamentos do que vem.
Mas hoje é diferente! Outono entra com música. Pois é. Não podemos esquecer que neste dia, 1 de Outubro se festeja a música. A música que nos acompanha sempre, que purifica nossas melancolias, tristezas.
Música
créditos: Francisco Simões (escultor)
"A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende."
Arthur Schopenhauer
Um dia vivido intimamente. Cada um de nós sente a música, segundo a sua alma.
O Dia Internacional da Música, comemorado anualmente a 1 de Outubro, foi instituído em 1975 pelo International Music Council, instituição fundada em 1949 pela UNESCO e que agrega vários organismos e individualidades do mundo da música.
Sempre celebro este dia. Ouvindo música. Escrevendo sobre música. A música apazigua os mais íntimos pesares. Os dias de desassossego.
Celebro a música, portanto. Inspiradora da Vida. Em cada momento.
"A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia.
E para Juliette Gréco, a musa inspiradora do Existencialismo, e da boémia da Rive Gauche. La grande dame de la chanson française:
"JulietteGréco, the singing muse of bohemian postwar Paris who became the grande dame of chanson française..."
New York Times
A cantora e ícone da canção francesa Juliette Gréco, que cantou Léo Ferré, Jacques Prévert e Serge Gainsbourg, entre outros, morreu no passado dia 23 de Setembro.
"She became the musical embodiment of the Existentialist movement. Although she seemed the most modern of performers, Gréco belonged to the grand tradition of Parisian chanteuses."
Patrick O'Connor, The Guardian
Dois nomes incomensuráveis da chanson française. Final de uma época, sem dúvida.
"Ce métier, je le fais pour plusieurs raisons, mais l’une des plus évidentes est que je voulais qu’on m’aime."
Voltou Agosto. Mês de férias. A caminho do final do ano. Sim, chega Setembro logo a seguir. E Outono. Depois Inverno. E finalmente termina 2020. Muitos de nós respiraremos, aliviados. Um ano tremendo. Como tantos anos, terminados em 20, de décadas passadas.
Agosto é para mim, um mês especial. Sonhador, alegre, nostálgico. O mar, a praia, as viagens curtas. O início deste meu canto. Quatorze anos.
Mas, e este ano? A praia, o mar, de longe. Apenas para perder o olhar, respirar. Inspirar. Expirar. Lembranças de outros lugares, outros mares, outras praias. Outros verões.
Pela memória poética passam, como num filme, imagens, lembranças, pessoas, aromas.
Este ano, um receio de tudo e de todos. Nada é igual. Nada será igual.
O que nos reserva o futuro? Não sabemos. O presente estamos a vivê-lo com cuidados redobrados.
Este ano até nisto é especial. As nossas férias serão diferentes, estranhas. Mas não podem deixar de ser as nossas férias. Em tempos de COVID-19, sim. E por isso, bem diferentes.
Só a melancia, que se desfaz em água, nos traz a frescura e o sabor de Verão.
"Depois de tudo te amarei como se fosse sempre antes como se de tanto esperar sem que te visse nem chegasses estivesses eternamente respirando perto de mim. (...) Pablo Neruda, Integrações
Pablo Neruda, pen name, de seu nome, Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, nasceu neste dia, 12 Julho 1904. Poeta chileno, considerado um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX.
Recebeu o Nobel de Literatura em 1971, enquanto ocupava o cargo de embaixador em França, nomeado pelo então presidente chileno Salvador Allende.
(…) Senhores e Senhoras
“Não aprendi nos livros qualquer receita para a composição de um poema; e não deixarei impresso, por meu turno, nem sequer um conselho, modo ou estilo para que os novos poetas recebam de mim alguma gota de suposta sabedoria." (...)
O seu pseudónimo foi uma homenagem ao escritor checo Jan Neruda. Jan Nepomuk Neruda viveu entre 1834 e 189. É um dos principais representantes do Realismo checo.
Neruda teria optado pelo pseudónimo aos 17 anos, supostamente para esconder do pai o ofício de poeta.
Crepusculario
Pablo Neruda, 1923
Foi aos 19 anos que publicou suas primeiras obras: Crepusculario (1923) e Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924).
O filme O Carteiro de Pablo Neruda, tradução deIl Postinofala de Neruda, em determinado momento de sua vida, no exílio. Todos vimos. E tantas vezes revemos. Pelo menos eu não me cans. Sempre que passa em algum canal de televisão. A história efabulada do poeta, naIsla Negra,Chile, com sua terceira mulher Matilde.
O Carteiro de Pablo Neruda é uma adaptação do romanceArdiente Paciencia (1985) traduzido em inglês The Postman, do escritor chileno Antonio Skármeta. Narra a história de um jovem, filho de pescadores que não quis seguir a vida do pai e se torna carteiro. Vem a ser carteiro particular e amigo pessoal do escritor Pablo Neruda, exilado numa ilha em Itália, na década de 50.
No filme, obra de ficção, a acção foi transpostada para Itália, onde Neruda - interpretado pelo excelente actor francês, Philippe Noiret, o Alfredo em Cinema Paradiso- estaria exilado.
Na ilha, torna-se amigo do carteiro que, diariamente, visita a casa do poeta para entregar correspondência e se rende à poesia de Pablo Neruda. Um dia, enche-se de coragem, e pede ao poeta para o ensinar a escrever poesia. Apaixonado por uma bela mulher da ilha, queria conquistá-la pela poesia.
Neruda alimenta o interesse de Mario pela poesia, ensinando-lhe o valor de uma metáfora, e o jovem carteiro começa a praticar essa figura de estilo. Um filme delicioso, terno e sensível, em que a poesia é personificada pela voz do carteiro, simples, terno. O olhar de Mario Ruoppolo, o carteiro é sonhador. Candura, simplicidade e genuidade sem limites.
Momentos que mostram a magia do cinema. Um filme de emoções. Na ligação da poesia ao amor, profundo deMario por Beatrice, tal Dante e sua Beatrice.
Na amizade terna, sem pedir nada em troca. Na nostalgia. Na saudade. Na descoberta de lugares mágicos que existem sempre nos sítios em que vivemos. Mas precisamos de outro olhar, esse olhar que vem do sentimento mais íntimo, para os descobrir.
Il Postino celebrou 25 anos em 2019. Deveria voltar às salas de cinema. Suponho que teve uma sessão especial em Lisboa.
Há um outro filme, bem diferente, mas que gostaria de referir. Neruda. Realizado por Pablo Larraín e escrito por Guillermo Calderón. Com interpretação do excelente actor Gael Garcia Bernal. Um inspector apanha o poeta chileno Pablo Neruda, vencedor do Prémio Nobel, que se tornara clandestino, no final da década de 1940, por questões políticas.
Não sei se passou por Portugal. Não lembro. E sou ou era ... muita atenta a filmes. O cinema era um dos meus privilégios, de fuga ao quotidiano, no final das tardes de sábado. Tantas coisas nos foram retiradas nesta época pandémica em que vivemos. A música, outro ponto de fuga. Saudades! Tantas!
Filme de produção internacional, foi seleccionado para representar o Chile, nos Oscar 2016, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Mas não obteve nomeações.
créditos: TED ED
Lição de Ilan Stavans
Pablo Neruda foi um dos mais celebrados poetas do século XX, e também um dos mais lidos, embora também mais polémicos.
Originalmente escritos em espanhol, seus poemas apresentam uma linguagem simples, do quotidiano, mas que causam um impacto eterno. Te amo de uma maneira inexplicável, de uma forma inconfessável, de um modo contraditório. Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos e mudar de humor continuadamente pelo que você já sabe o tempo, a vida, a morte.(...) Pablo Neruda, in Te Amo