Showing posts with label classical music. Show all posts
Showing posts with label classical music. Show all posts

Monday, February 03, 2014

Tributo a Philip Seymour Hoffman : A Late Quartet !




A Late Quartet (2012)


Um Quarteto ÚnicoA Late Quartet é a última e mais recente imagem que guardo de Philip seymour Hoffman. Dramática interpretação de imensa sensibilidade. Quase premonitório, o título original.

A história centra-se num quarteto de música erudita. O filme fala de música, e dos músicos. Fala da vida com música de Beethoven. A obra prima de Beethoven String Quartet No. 14, opus 131,




The Late Quartet 2012

Philip Seymour Hoffman é Robert Gelbart, um segundo violinista que esconde o desejo de vir a ser o primeiro. Mark Ivanir é Daniel Lerner, 1º violino é a 'estrela' do grupo, alguém muito pragmático e que tem apenas o coração para a música. Temos a complementar o quarteto, Juliette (Catherine Keener),  mulher de Robert, e Peter (Christopher Walken) no cello.





Philip Seymour Hoffman & Mark Ivanir
A Late Quartet (2012)

Depois de 25 anos a actuarem juntos, este quarteto musical de cordas depara-se com a doença de Parkinson de PeterA dinâmica do grupo altera-se, não só pelo choque como pela decisão de Peter de abandonar o quarteto. 

A partir desse momento, o grupo passa a estar dependente de emoções recaldadas, egos difíceis de conciliar e paixões incontroláveis que ameaçam pôr fim a anos de amizade e colaboração.








Foi dos mais belos filmes que vi em cinema, nos últimos anos, dedicado à música de câmara. Uma banda sonora incontornável, o profundo apreço pela música erudita que se ouviu numa sala de cinema em completo silêncio, como se de um concerto ao vivo se tratasse.

Considerei-o uma homenagem à música erudita, num tempo em que se põe em causa a sobrevivência da música clássica.





Philip Seymour Hoffman | Robert Gelbart
The Late Quartet

Este é meu tributo a Philip Seymour Hoffman que morreu este domingo, 02 Fevereiro 2014.

A sua interpretação como Robert Gelbart emocionou-me. Emocionou todos os que estavam presentes naquela sala de cinema, num final de tarde de Outono.

"I think he's the greatest actor of his generation."

Miosótis (pseudónimo) 

fragmentos da noite com flores para Philip Seymour


02.02.2014

 Copyright ©2014-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 


Thursday, October 01, 2009

Dia internacional da Música





Die Musik
Gustav Klimt, 1895


"O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar. (...) Há as artes cujo fim é influenciar, que são a música, a literatura e a filosofia."

Fernando Pessoa, Estética e Escritos Íntimos









Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da tarde com música de
Claude Ravel, Pavane for Dead Princess

01.10.2009


Copyright ©2009-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®



Sunday, December 03, 2006

Copying Beethoven - o filme






Copying Beethoven
Agnieszka Holland, 2006
https://www.imdb.com/



"Music is the language of God!
Musicians are the closest to God as men can be. We hear His voice. We read His lips."


Copying Beethoven

Copying Beethoven estava no meu roteiro de fim de tarde de cinema, há uma ou duas semanas.

Fugindo da azáfama consumista e desatinada que percorre o país nesta época pré-natalícia, procurei o filme cuja temática não atrairia o grande público.


Percorrer musicalmente alguns dias da vida de
Ludwig van Beethoven, mais propriamente os últimos três anos, era sem sombra de dúvida uma pausa que me agradava plenamente! Nesse silêncio feito de enleio estético, aventrei-me nos sons de excertos musicais de obras suas, num recolhimento e introversão salpicados por excelente diálogos.






Anna Holtz/ Diane Kruger
Agnieszka Holland, 2006


Traduzido como "Corrigindo Beethoven", o que só por si demonstra alguma falta de cultura musical erudita por parte dos tradutores ou empresas que à legendagem de filmes se dedica, 'copying' deriva da palavra 'copyiest', o que traduzida para língua portuguesa dá origem à palavra 'copista', termo técnico para pessoa que copiava à mão as partituras dos grandes mestres e compositores.

Assim, já se atraiçoa sem querer a intrínseca intenção da realizadora que afirma:


"The journey during the film is to learn about the music, but also to learn about the man... to come closer and closer to the music and to the man."

Agnieszka Holland






Anna Holtz/ Diane Kruger
Agnieszka Holland, 2006


A música é sem dúvida a personagem principal do filme onde o actor Ed Harris incarna com grande mestria os últimos três anos [1824-1827] da vida de Beethoven, mais propriamente os derradeiros que este dedicou à conclusão da 9ª Sinfonia na qual trabalhou durante dez anos.

"He changed the very notion of music, destroying rules, conventions [...] bombastic, brilliant, generous, unforgiving, yet kind hearted, Beethoven ruled over the cultural landscape of Europe in the first quarter of the 19th century."
Agnieszka Holland






Ed Harris & Diane Kruger
Agnieszka Holland, 2006


A incrível caracterização e sublime interpretação de
Ed Harris quase nos leva a crer estarmos diante do próprio Beethoven.

Outra coisa não seria de esperar de um actor que personificara  em Pollock a figura emblemática da pintura norte-americana -
Pollock - outro ser verdadeiramente dilacerado no seu acto criador.

Copying Beethoven transmite-nos a pungente, silenciosa e desesperada solidão de Beethoven, através dos olhos de Anna Holtz, melhor aluna de Composição do Conservatório de Viena, uma personagem ficcionada a partir de componentes da época, aqui interpretada pela actriz Diane Kruger

Apesar de já se atravessar o século XIX, ainda não era reconhecido à mulher o direito e dom de criar, quer em música, literatura ou outra actividade artística. 

Anna Holtz demonstra aqui a incrível vontade de vencer pelo seus próprios méritos como criadora mulher, vendo em Beethoven a sua oportunidade maior de aprender, e se afirmar num campo que só era permitido aos homens.


"I may be a woman but I am the best student!"


Copying Beethoven

Em impressionante diálogo, somos transportados à visão divina da música.

"Musicians are the closest to God as men can be.
We hear His voice. We read His lips."


Copying Beethoven


Nas magens de incrível beleza cénica, numa fotografia cuidada que realça tantas vezes o divino da criação, sobressaem os momentos de precisão e perfeição da arte de copista musical, as fúrias de Beethoven em revolta permanente contra um Deus que lhe deu um dom tão divino e que depois lhe retira a capacidade de se ouvir, a profunda tranquilidade do mestre nos actos de composição, quer compondo ao piano ou violino, quer em momentos de retirada inspiração no silêncio da natureza onde se refugiava para percepcionar as vibrações que esta lhe transmitia... tudo isto até se chegar à première da 9ª Sinfonia.

Guiado pelos olhos e pelas mãos de sua fiel copista, que conhecia de cor a partitura, dando-lhe os tempos necessários para que frente à orquestra, como maestro, pudesse executar a sua obra-prima.


"I will help you, I will stand where you can see me, I'll give the bite for you."



Copying Beethoven






Anna Holtz/ Diane Kruger
Agnieszka Holland, 2006


E Anna Holtz, saindo do meio da orquestra, veio afectuosamente virar Beethoven para o público, para que este visse as pessoas a ovacioná-lo de pé. e sentisse as vibrações dos aplausos.

"You are the key to my release."

Copying Beethoven

Se mais não for, valerá a pena ver para ouvir a interpretação da 9ª Sinfonia, interpretada pela Orquestra Sinfónica Kesckemét Húngara com alguns instrumentos musicais do princípio do século XIX tocados com arcos da época (violinos e violoncelos) o que dá, sem dúvida, o timbre perfeito da música beethoviana.

A não perder o trailer e as entrevistas no sítio oficial
Copying Beethoven

O filme esteve representado em dois conceituados Festivais de Cinema:


Festival Internacional de San Sebastian (2006)

Toronto Film Festival Canada (2006)


No final, todos os espectadores permaneceram religiosamente ouvindo até ao último excerto musical do genérico.

Não houve pipocas!

Miosótis (pseudónimo)


03.12.2006
update 22.01.2024
Copyright ©2006-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

fragmentos da noite, som Ludwig van Beethoven, 7ª Sinfonia in A major, Op. 92, la major/A-dur, Allegretto, Sinfonia Varsovia, maestro Yehudi Menuhin,Warners Classics, 2003


Licença Creative Commons


Sunday, October 01, 2006

Dia Internacional da Música




Martha Graham Dance Company
Foto: Roland Maguria/AFP/DDP
http://news.yahoo.com/photos


"La música es la voluptuosidad de la imaginación."

Eugène Delacroix, pintor (1798-1863)


A música expulsa o ódio dos que vivem sem amor. Dá paz aos que não têm descanso e consola os que choram.

Os que se perderam encontram novos caminhos e os que tudo rejeitam reencontram confiança e esperança.

Pablo Casals, virtuoso, violoncelista, maestro (1876-1973)

A visitar

http://www.museudamusica-ipmuseus.pt
http://www.bn.pt/agenda/evento-dm-musica.html



Miosótis (pseudónimo)
fragmentos da noite, Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir, Claude Debussy, piano Ronan O'Hora, Público, 2005

01.10.2006
Copyright ©2006-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

Sunday, August 20, 2006

Celebrar Mozart : Milos Forman & Agostinho da Silva






Wolfgang Amadeus Mozart
Johann Nepomuk della Croce (1736–1819)

"Mozart was a passionate dancer and attended at least 200 events and fancy-dress balls"

Austria celebra os 250 anos do nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart com um vasto programa de actividades denominado Viva Mozart ao longo do ano 2006.





Wolfgang Amadeus Mozart 

"todas as suas horas estão cheias de preocupação de dinheiro e talvez em nenhum artista se veja tão bem como em Mozart como a opressão económica as possibilidades dos homens; é certo que o seu canto vai sempre além das dificuldades monetárias, é certo que, mesmo nos dias piores, a fonte donde mana tem a pureza e a fresca harmonia das águas das montanhas; mas também é certo que as privações que lhe abreviaram a vida, que a doença que o mata aos 35 anos vem di excessivo trabalho, da falta de conforto, do íntimo desgosto perante a dureza do mundo; e é cheio de dor que Mozart sente que a morte se aproxima: não a teme por si própria, mas ela é o fim da contemplação deste mundo que tanto o encantava; não mais voltará a sentir a doce alegria das manhãs, nem o perfume das flores, nem a graça dos corpos femininos, nem a melancolia dos crepúsculos; não mais se poderá sentir irmão dos regatos e das aves, não mais as vibrações que lhe trarão as carícias dos seus reinos de sonho; a morte é um fim, um fim absoluto; mas sabem também que há-de viver na memória dos homens e que estes, a cada dia o hão-de compreender em maior número e melhor; que um Mozart eterno, renovando de hora a hora, a alegria e a beleza universais, há-de ficar para além do Mozart perecível que vai agonizar entre crise de lágrimas e relâmpagos de inspiração; no Requiem, que não chega a terminar, de que ainda, no último momento de consciência, indica, mal movendo os lábios, os toques de tambor, ele põe, juntamente com a tristeza de morrer, um canto de esperança, de confiança na vida, de certeza de que um dia ela será a gentil, preciosa, divina melodia de que sempre andou cheia a sua alma; deu-lhe batalha a existência e ele soube ganhá-la: fixou no eterno o que deve ser eterno e a melhor parte do seu ser pairou acima de todos os momentos imperfeitos; a vitória do espírito é completa com a música de Mozart; nem sabe a humanidade onde param os seus restos, porque os poucos amigos que lhe acompanhavam o enterro não tiveram coragem de romper com a tempestade de neve; mas a sua inspiração, o inultrapassável sentido de beleza, a união sem mácula da mais viva das sensibilidades e da mais pura das expressões, estarão sempre connosco, nas horas de alegria e nas horas de amargura, como um amparo, como um guia, como o Mestre mais alto de resignação heróica, de humildade e de amor, de graça inteligente e de universal simpatia. [...]

Agostinho da Silva, Mozart, Lisboa, s.n., 1941 (Iniciação, caderno de Informação Cultural), BN M. 2111 v.

in BNPortugal






Pareceu-me imprescindível associar a esta homenagem a Mozart dois autores que o celebraram, em diferentes áreas da arte. Na literatura,
 Agostinho da Siva e no cinema, Milos Forman





Amadeus
Milos Forman, 1984
créditos : Giphy

Não deixa de ser interessante relembrar que no ano 2006, ano em que se celebra o centenário de Agostinho da Silva, se celebre os 250 anos de Wolfgang Mozart.





Wolfgang Amadeus Mozart 
créditos: Time Life Pictures/Getty Images

Viva Mozart celebra este ano de 2006, os 250 anos do nascimento Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Mozart nasceu em Salzburgo, morreu em Viena.

Mais do que a efeméride, é dever da humanidade prestar tributo ao músico idolatrado pela corte, e que pobre, faminto, e muito doente, 
morre a escrever o seu Requiem (inacabado), para alimentar a família. Foi a enterrar em vala comum, no completo anonimato. 

"I fear I am writing a requiem for myself."

Wolfgang Amadeus Mozart


A sua intuição estava certa. Requiem de Mozart é o mais triste que já ouvi. Trespassa-nos a alma. Sentimos os seus últimos dias em cada nota, em cada sonoridade vocal. Um pungente e solitário  gemido final de uma beleza musical indescritível que Agostinho da Silva põe em palavras.






Wolfgang Amadeus Mozart
painting by Joseph-Siffred Duplessis
photograph: DEA/G Dagli Orti/De Agostini/Getty Images


A Biblioteca Nacional de Portugal teve patente uma exposição Mozart (1756-1791) de 1 a  30 Junho 2006.




Selo comemorativo 250 Anos/ Portugal
"Por ocasião dos 250 anos do nascimento de Mozart, a Biblioteca Nacional organiza, de 1 a 30 de Junho, na Sala de Referência, uma mostra de bibliografia portuguesa alusiva àquele músico, nascido em Salzburgo a 27 de Janeiro de 1756 e falecido em Viena a 5 de Dezembro de 1791."

BNPortugal




Amadeus 
Milos Forman, 1984

Amadeus (1984) de Milos Forman, considerado um dos 'Cem melhores filmes de sempre' é, sem dúvida, até hoje, e passados 250 anos, a maior homenagem feita a este talentoso compositor. Na minha opnião. Um obra-prima de sensibilidade e estética.

Ninguém captara a alma de Mozart como Milos Forman numa versão largamente ficcionada, e que nos aproxima ainda mais de Mozart. E nos descreve o menos talentoso Antonio Salieri

Milos Forman realizou o filme Amadeus em 1984. O guião foi escrito por Peter Shaffer, que adaptou a sua célebre peça de teatro Amadeus (1979) ao cinema. A peça foi inspirada na obra de  Pushkin Mozart and Salieri.

Forman é um dos melhores realizadores da sétima arte. Não esqueçamos o excepcional Voando sobre um Ninho de Cucos.






Amadeus
Milos Forman & Tom Hulce

A alegria, o talento, a irreverência, a solidão de um dos maiores músicos e compositores de música erudita. 
Eis a versão tão talentosa de Milos Forman.

Mozart é hoje um dos músicos mais tocados em todo o mundo.

Verdadeiros poemas musicados à vida compôs Mozart. Na sua música, tantos de nós buscamos refrigério para nossas almas.





First page of the autograph score of the aria “Conservati fedele” (K 23) 
by Wolfgang Amadeus Mozart, 1765

“Music is my life and my life is music.” 

 Wolfgang Amadeus Mozart


E sim. A música foi a sua vida desde os 6 anos, menino prodígio, até ao último dia de vida. 




Milos Forman, 1985
credits: Robert Clark / For The Times

Milos Forman morreu ontem, dia 13 Abril 2018. O grande realizador de origem checa, orfão de pais desde muito jovem, mortos em campos de concentração, durante  a 2ª Guerra Mundial. N
aturalizado  mais tarde norte-americano, deu vida a um dos mais belos filmes de sempre, Amadeus. Filme galardoado com oito Oscars na 57th Annual Academy Awards de Hollywood, Março 25, 1985.





Amadeus
Milos Forman,1984

Baseado na peça de Peter Shaffer, Amadeus retrata o génio musical do séc. XXVIII como um um adulto-criança irreverente, bem como o compositor menos dotado Antonio Salieri, como seu inimigo na sombra. 

A vida, sucessos e tormentas de Wolfgang Amadeus Mozart, contada por Antonio Salieri, o compositor contemporâneo e insanamente invejoso do talento de Mozart, acusando-se de ser ele próprio o causador da morte de Mozart. 

Um tributo merecido, dedicado a celebrar grandes nomes com um eixo comum. Mozart!


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da manhã tardia, sons de reminiscência muito pessoal: Concerto Nº 23 em Lá Maior, K488.

Nostalgia. Tanta!

20.09.2006


actualizado em 14.04.2018
Copyright ©2018-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®