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Thursday, April 25, 2024

Foram dias. Foram anos !






crédito: André Carrilho



Foi uma lenta madrugada
intranquila
coração desgovernado

sem sabermos
se a coragem
conquistava a liberdade

ao fascismo, a resgatá-la

Foi o povo na rua
foi a festa
numa pressa desatada

onde todos nos revíamos

Foi a noite, foi o dia
de bandeiras e de cravos
sobressalto e alegria

na pressa da liberdade


Maria Teresa Horta, Dia da Liberdade



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores 

11.04.2024
Copyright ©2024-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Saturday, February 04, 2023

E veio o sol de Inverno !

 




Serra da Estrela
créditos: Manuel Ferreira

Mote

No meu
jardim aberto ao sol da vida,

Miguel Torga, Lírica


Meu amigo, sol de Inverno! Neste jardim aberto que é o firmamente, sinto, neste começo de tarde de sábado,teus raios luminosos, teu calor de Inverno, teu conforto prazeroso.

Esqueço as noites gélidas, entrego-me ao teu calor cheia de esperança de uma Primavero que se anuncia.

A tua luz entra em meu espírito, e transforma  o meu querer . Aqueces-me a alma.

Fico quieta sob os teus raios dourados e aconchegamente quentes. E cerro os olhos numa paz sem fim.

E ali fico, sonhando como se fosses o meu refúgio, o meu canto, onde a vida flui sem a minha interferência. Quanto bem estar!


(...)

Parece o recomeço
Doutro destino:
Este, de ser menino
Ao pé de ti...

Miguel Torga, Lírica

Nós, mulheres somos assim. Temos os nossos momentos de outono e inverno, mas sempre voltamos a ser primavera e verão. 


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos com flores

4.02.2023

Copyright ©2023-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Sunday, August 28, 2016

O Meu Lugar





Ilha Formosa, Algarve
créditos: John Gallo

Rodear-me da serenidade que a natureza emana, faz-me renascer. Todas as preocupações e desassossegos se desvanecem. Ficam bem distantes. E regresso à minha simplicidade interior.

O meu lugar preferido? A praia. Claramente. Já o escrevi tantas vezes! Praia, mar, muito mar. Sem ventos desnorteados. Praia bem serena. Mar tranquilo. Sim, mas que me permita ouvir o marulhar da água adentrando-se pelo areal. E sol, sol quente.

Assim, sim. O verdadeiro significado de estados, sentimentos de paz. Liberdade, tranquilidade, felicidade, gratidão. 

Mostra-me, a magia, a benção que é a vida. Pega-se à pele, à alma. O perfeito mergulhar do sol no mar, no nosso corpo, vai trazendo o relaxamento aos sentidos, ao pensamento. 

E deixo-me ficar. Quieta. 

Na magia de um lugar-paraíso, olho em volta respirando cada lufada marítima, aquele cheiro a maresia quando há mais algas no areal.

De vez em quando cerrro os olhos, para que a imagem da imensidão permaneça no meu subconsciente. Perdidos, divagando sobre praias longínquas, seres distantes, lugares magníficos. Flui a imaginação do amor, da esperança, da certeza de poder ver o mundo.

O horizonte é feito de promessas.

No entanto, do que sinto, por agora, posso afirmar que ali na praia, sou mais eu. A minha essência se reencontra.

Na praia permaneço, em busca da serenidade que só lá aflora e se transforma.

É na praia, de frente para o mar que me inspiro. Leio, não oiço música, ou melhor oiço a melodia da água do mar. As gaivotas que sobrevoam ou os pequenos pássaros que começam a aparecer com mais abundância. Isto se tudo à volta for silêncio. Não sou contra a presença de outros. Mas como seria bom se respeitassem que ali vimos buscar serenidade e fruir dos sons da natureza.

É ali, num cantinho do Atlântico que melhor sinto a vida. 

É ali que corro sem destino, apesar de quieta. Que escrevo pinceladas de pensamentos que acorrem. Livres, soltos. 

Quando uma aragem mais fria reaparece, com a proximidade do pôr-do-sol,  e a chegada da lua, reúno as poucas coisas que tenho comigo, e preparo-me para voltar.

Antes de abandonar a praia, olho longamente o mar e agradeço a vida. Sinto-me  abençoada de fruir da natureza. Porque pouco, é tão tudo

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
28.08.2016
Copyright ©2016-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 


Sunday, January 19, 2014

Paisagens de Inverno






Pitões das Júnias | Montalegre 
créditos: António Cunha





Serra | Montalegre 
créditos: António Cunha





Serra | Montalegre 
Foto: António Cunha


"depois do Outono, o inverno por que eu esperava;
a neve crepuscular em que vivemos há alguns dias tornou-se o fundo da minha incerteza por eu não saber o que cabe (...) em mim; "

Maria Gabriela LLansol, Contos do mal errante

Não, desta vez o inverno não entrou de repente. Há muito se instalou. O branco tem pintado as paisagens mais altas, espalhando em silêncio este branco-anilado, recortando a paisagem local. 

O azul nem sempre se abre. Permanece muito mais embrulhando nas nuvens plúmbeas. 

Eu olho, sob o impulso de viver. E quando os ventos frescos sopram, névoas invadem a minha nostalgia das noite quentes.

Sinto os aromas do frio agressivo que não tem poupado a cidade. Não neva. Mas faz frio. Desaconchegante.

O ar gélido pairou o dia inteiro e desceu pela noite. Tanto frio. As luzes ilumninaram-se, cobrindo a armosfera que se exibe lá fora. Sei que o frio não fundirá o gelo.

E se vos disser que o pássaro sem primavera teima em chilrear pela madrugada, quando a chuva não o fustiga com braveza? Bem pela madrugada. 

Ilusão? Não! Posso garantir que ele vem, algumas noites, mal se adentrou Janeiro.


"Já estou calma. Não menos triste; 
tentar dizer o que uma coisa é, é viver;"

Maria Gabriela LLansol, contos do mal errante,
edições rolim, 1986

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

19.01.2014
Copyright ©2014-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 


Sunday, September 09, 2012

Paisagens narradas




Vista para o mar | Costa do Oeste
Fotografia: Francisco Mendes


"Esse período pode ser muito reconfortante e melancólico. Reconfortante porque todas as lembranças e cicatrizes assentam, são processadas pela memória, narradas a nós próprios devagarinho, encontram um lugar na organização da cabeça. Melancólico exactamente pelo mesmo motivo. Esse é um período em que se contempla um tempo que, ali, se sabe com muita certeza que não voltará."

José Luís Peixoto, O vagabundo regressa a casa*


Depois de umas curtas férias pela Costa Oeste que não revia há algum tempo, eis-me de volta a este espaço que continuo a querer partilhar, embora com pouca assiduidade, eu sei.



Parque D. Carlos I
Foto: Miguel de Azevedo e Castro


Foi bom! Lugares 're'visitados trazem sempre à memória fragmentos de vida que guardamos. E apesar de vivermos num mundo em que informação é uma constante, o nosso cérebro, tal como o poeta escreve, processa essas lembranças. E cada olhar, som, aroma, despoleta de imediato a narrativa poética.

Percorri alguns locais, saltitei entre as imensas praias que esta costa nos oferece,  com paisagens deslumbrantes, quando vistas do alto, e algumas cidades que as autoestradas deixam longe do olhar.

 

Grande Auditório CCC | Caldas da Rainha




Pela foto, reconheceram de imediato Caldas da Rainha. Uma cidade que cresceu, sem dúvida. Um moderno Centro Cultural e Congressos que visitei,  sem ter acesso a este belíssimo Grande Auditório. Nenhum concerto estava agendado para esta época do ano.



Museu José Malhoa | Parque D. Carlos I


Rumei então até ao Museu José Malhoa perfeitamente enquadrado neste sereno e lindo parque, abrindo portas sobre o lago e mostrar a maior parte da obra do seu patrono, bem como uma colecção importante de pintura e escultura dos séculos XIX e XX. 

É considerado 'o museu do naturalismo português'. Como se pode constatar, não poderia a temática estar mais de acordo com o espaço onde se insere.

Para além da arte, dois aspectos dignos de realce, vindos, para mais, de um museu de 'província': a disponibilização de um vídeo com língua gestual portuguesa, bem como uma brochura em braille.



Mosteiro de Alcobaça
Foto: Autora© (via Android)

É evidente que não poderia deixar de voltar a Alcobaça, percorrer aquelas ruas estreitas, empedradas, bem medievais. E de revisitar o Mosteiro de Cister. Uma sensação de finitude, de recolhimento cai sobre nós. Como se num estado de contemplação meditativo, sem preces. 



Túmulo Dom Pedro | Mosteiro de Alcobaça
Foto: Autora©  (via Android)

Impensável não parar junto de Pedro e Inês. Interessante, jazia Pedro quase abandonado, enquanto Inês, estática, se via rodeada de um enorme grupo de turistas italianos que seguiam atentamente toda a história da infeliz Inês.



Senhora da Assunção | Mosteiro de Alcobaça
Foto: Autora©  (via Android)

Mas foi esta imagem que me deslumbrou. Poisada num dos pedestais laterais, quase por trás do altar central, sobressaia do peso da pedra que a circundava. Uma serenidade nos gestos, a beleza da madeira esculpida, a arte da estatuaria portuguesa do século XVII.

E foi tempo de regressar...

"A casa está exactamente como ficou. (...) Então, antes de desfazer a mala, apetece sentar no sofá, senti-lo. 
(...)

Então, a casa é mesmo casa. O corpo recupera segurança, (...) A casa é como aquele lugar em que não podíamos ser apanhados quando brincávamos à apanhada. A casa é como um abraço."

José Luís PeixotoO vagabundo regressa a casa*


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

09.09.2012
Copyright ©2012-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®  

* Textos de José Luís Peixoto: blogue do autor

Licença Creative Commons

Sunday, November 30, 2008

Brancos olhares






Mões - Castro Daire
Fotografia: Paulo Martins





Mões - Castro Daire
Fotografia: Paulo Martins
http://noticias.sapo.pt

Na erva, em tapete de geada branca,
as árvores despidas, iluminadas de luar.


Wang Wei, Pensamentos numa noite de Inverno
Gosto do Verão, indubitavelmente!


E por mais que admire a luxúria dos tons outonais ou a ascese dos tons invernosos que se expandem em sobressalto aos ventos frescos destas estações, eu não consigo fazer frente ao desconforto de um tempo frio, húmido, escurecido, quase sem sol.

Até as tonalidades das folhagens, do firmamento suave tantas vezes acariciador, se desvanecem perdidas, correndo contra as cores plúmbeas de um inverno grosseiro e fosco que não convida ninguém ao deambular sereno em fim de tarde, preso à brisa e à luz dos últimos raios esmaecidos.

Repentinamente, a neve baixou sobre as terras altas. E a beleza natural das paisagens é tão intensa que calei meus queixumes perante o esplendor de tais cenários!

Suspendo o olhar! Na noite fria, aconchego-me no sofá, em frente às vidraças batidas pela chuva que se solta abundante em toques ritmados. E sonho...

"Os sonhos aconteciam, pois, até o sonho cair dentro da vida."

Teolinda Gersão, O Silêncio








Miosótis (pseudónimo)


fragmentos brancos em noite de inverno, som de Ennio Morricone, Cinema Paradiso.


01.12.2008
Copyright ©2008-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®


  

Saturday, March 29, 2008

Portishead : lembranças

~



Beth Gibbons*


Devo confessar que um dos meus profundos desgostos destes últimos dias se prende com o facto de não ter podido assistir a nenhum dos concertos dos Portishead, banda que se apresentou esta semana, no nosso país! Uma das minhas bandas de culto dos anos 90! E passaram tão perto!






Portishead, Coliseu do Porto






Portishead, Coliseu do Porto



Lembro ter escrito este texto, numa noite de Janeiro de 2006...






Beth Gibbons*
via Arte Sonora


De vez em quando, gosto de revisitar músicas que ouvi durante um certo espaço de tempo e que por cansaço onírico, ou outras torrentes de sentires, fui arrumando na estante das emoções.


Mas há dias ou fases de vida - não sei - algo redesperta, e pego neste ou naquele álbum para 're'ouvir com fervor, determinada melodia. E descubro novas vibrações.


A voz de Beth Gibbons nesta composição - Glory Box - toca-me tão profundamente que atinge o âmago de minh'alma. E os sons orquestrais que se lhe contrapõem, dão-lhe um lancinante ênfase!









Foram efectivamente muito marcantes estes sons na minha vida! E permanecem!


Y. Noites do Amanhecer (blog desactivado)

28.01.2006


Cansaços, desencantos, angústias ou acalmias se seguiram a esses tempos! Mas, os Portishead continuam bem perto de minhas devoções.


Saltar as datas que antecipadamente anotara numa memória de afectos fez-me sentir uma enorme perda... como se não pudesse recuperar a magia que a este grupo me liga!


E quando me deparei com estas notícia , num artigo sobejamente apetitoso, de Gonçalo Frota, fiquei horas a ouvir os Portishead no Youtube!


"O entusiasmo perante temas como Glory Box, Numb, Wandering Star, Over, Only You ou Cowboys foi mesmo tanto que no final de cada sequência vocal exuberante de Gibbons (que mantém a sua belíssima voz de quem podia estar a contar os seus desaires amorosos sentada no bar do hotel mais próximo) a assistência explodia em gritos e assobios.







Portishead, Coliseu do Porto
créditos: Miguel Barros
via Pinterest


(...) excelente actuação de toda a banda, comandada por Adrian Utley na guitarra e Geoff Barrow (na percussão, bateria electrónica e deejaying).

Gonçalo Frota


Devoção absoluta... pode-se ler! Não duvido! Teria sido o meu único sentimento se tivesse lá estado! 


Me perdoem a exuberância de imagens! Para compensar a ausência.





Portishead, 2008


Uma banda que desapareceu completamente, apesar da incrível excelência musical.


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores

31.03.2008

actualizado 01.08.2026
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Monday, August 15, 2005

U2 recebe Ordem da Liberdade Portugal




Bono (Portugal)
Armando França/ AP
14 Agosto 2005, Portugal
http://news.yahoo.com

Em Portugal, os U2 foram agraciados com a 'Ordem da Liberdade' em reconhecimento do sem empenhamento na defesa de causas humanitárias mundiais, ao longo dos últimos vinte e cinco anos.


Bono & Edge | U2

É claramente uma das minhas bandas de culto. Minha grande tristeza ? Não ter o privilégio de os ouvir ao vivo.

Beautiful day!

Miosótis (pseudónimo)


15.08.2005
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Saturday, August 06, 2005

O meu país da cor do fogo





Portugal
foto: autor ?
http://noticias.ya.com/



Portugal, Coimbra
foto: Vitor José S. Rasteiro
http://img.photobucket.com/

Um dantesco inferno de fogo aniquila as nossas paisagens, os haveres, e as populações indefesas. 

Pessoas correm desvairadamente, lançando preces e gritos lancinantes de dor. 

As tenebrosas chamas, de um vermelho rubro incandescente, percorrem as nossas aldeias e lugares mais remotos.

Homens e mulheres que trocaram suas vidas e seus sonhos por uma casa e um pedaço de terra, vêem-se despojados, num brevíssimo pestanejar. 

E um pesadelo insano e destruidor devora suas almas . Sopro de vida desfeito.


Miosótis (pseudónimo)

©texto original

03.08.2005
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