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Sunday, August 28, 2016

O Meu Lugar





Ilha Formosa, Algarve
créditos: John Gallo

Rodear-me da serenidade que a natureza emana, faz-me renascer. Todas as preocupações e desassossegos se desvanecem. Ficam bem distantes. E regresso à minha simplicidade interior.

O meu lugar preferido? A praia. Claramente. Já o escrevi tantas vezes! Praia, mar, muito mar. Sem ventos desnorteados. Praia bem serena. Mar tranquilo. Sim, mas que me permita ouvir o marulhar da água adentrando-se pelo areal. E sol, sol quente.

Assim, sim. O verdadeiro significado de estados, sentimentos de paz. Liberdade, tranquilidade, felicidade, gratidão. 

Mostra-me, a magia, a benção que é a vida. Pega-se à pele, à alma. O perfeito mergulhar do sol no mar, no nosso corpo, vai trazendo o relaxamento aos sentidos, ao pensamento. 

E deixo-me ficar. Quieta. 

Na magia de um lugar-paraíso, olho em volta respirando cada lufada marítima, aquele cheiro a maresia quando há mais algas no areal.

De vez em quando cerrro os olhos, para que a imagem da imensidão permaneça no meu subconsciente. Perdidos, divagando sobre praias longínquas, seres distantes, lugares magníficos. Flui a imaginação do amor, da esperança, da certeza de poder ver o mundo.

O horizonte é feito de promessas.

No entanto, do que sinto, por agora, posso afirmar que ali na praia, sou mais eu. A minha essência se reencontra.

Na praia permaneço, em busca da serenidade que só lá aflora e se transforma.

É na praia, de frente para o mar que me inspiro. Leio, não oiço música, ou melhor oiço a melodia da água do mar. As gaivotas que sobrevoam ou os pequenos pássaros que começam a aparecer com mais abundância. Isto se tudo à volta for silêncio. Não sou contra a presença de outros. Mas como seria bom se respeitassem que ali vimos buscar serenidade e fruir dos sons da natureza.

É ali, num cantinho do Atlântico que melhor sinto a vida. 

É ali que corro sem destino, apesar de quieta. Que escrevo pinceladas de pensamentos que acorrem. Livres, soltos. 

Quando uma aragem mais fria reaparece, com a proximidade do pôr-do-sol,  e a chegada da lua, reúno as poucas coisas que tenho comigo, e preparo-me para voltar.

Antes de abandonar a praia, olho longamente o mar e agradeço a vida. Sinto-me  abençoada de fruir da natureza. Porque pouco, é tão tudo

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
28.08.2016
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Friday, August 21, 2015

Uma tarde de verão !





Woman on the beach 
https://www.pinterest.com

Voltei à praia. Adoro mar, o calor do sol que bate no corpo, a luminosidade que entra na alma, o marulhar suave, de vez em quando, interrompido por vozes que supõem estar e casa, como se tudo à volta fossem paredes.

O tempo incerto, alguns cuidados, me mantiveram afastada. Num tempo que adoro! O verão. 

Até que ontem, o sol, a brisa quente, me bateu em cheio, adentrando-se pelas janelas, vizinhas do firmamento. Saí à varanda para sentir o ar que me tocava. Muito agradável. Então, estava decidido. Ir à praia.

Que sensação boa! Sair do carro, e sentir que não havia vento à beira-mar. Apanhar o saco, com aquelas pequenas coisas que todas as mulheres gostam de ter consigo na praia. Creme solar, pareo, uma garrafa de água. 




A Ilha
Sándor Marái
Dom Quixote

Ah! Não podia faltar um livro. A minha escolha de verão? "A Ilha" de Sándor Marái. Lembram "As Velas Ardem Até ao Fim"? Esse mesmo.

O tema passado numa estância balnear, um professor ligado à filosofia, inspirado por Platão, ambiguidade do amor, Viktor Askenasi. A personagem remetia-me para o grande pianista Vladimir Ashkenazy. Culto de momentos de música clássica. 

Música, filosofia, busca da felicidade, verão. Conhecendo o escritor, motivos suficientes para esta escolha. Sim, clima perfeito para uma tarde inspiradora. E de muita serenidade.

Muita gente na praia. Mas sem aquele amontoado de pessoas, que mal nos dão espaço para uma certa privacidade. Distanciamento quanto baste.

Estendi o pareo. E sentando-me, fiquei primeiro a olhar o mar. Aquele mar, paraíso de liberdade, que tanto me apazigua. Inspirei. Longamente. E expirei, com uma sensação de bem estar e tranquilidade que só o ar livre à beira-mar, sentindo a areia quente, me traz de volta.

O  mar estava calmo, mas sem aquele verde-claro, translúcido. Quase ninguém na água. Gelada, ouvia-se em volta. Preferi o calor da areia, o sol reflectindo-se na água, batendo nas páginas do livro que folheava, embrenhada na leitura.

Voltei ao final de tarde. o sol baixava no horizonte. E a temperatura descera.

Uma tarde sublime, onde nada faltou. Regressei com novas energias, a chave secreta para recomeçar. Ficou em mim o aroma da maresia desfragmentado entre as palavras lidas. 

Aspirações delicadas. 

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
21.08.2015

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