
W. Somerset Maugham
The Painted Veil de W. Somerset Maugham (1925) é um dos clássicos que fazem parte das minhas referências literárias.
O autor prima essencialmente pelo retrato que faz da sociedade inglesa da sua época, num estilo sóbrio e cuidado, próprio de um belo contador de histórias. Estas desenrolam-se, regra geral, em ambientes internacionais.
A sua escrita é clara, sucinta, em tom resignado ou cínico, o que o torna peculiar e inconfundível!
"I have never pretend to be anything but a story teller. it has amused me and to tell stories and I have told a great many."
"I have never pretend to be anything but a story teller. it has amused me and to tell stories and I have told a great many."
Somerset Maugham, Creatures of Circumstance, 1947
Kitty & Walter
Naomi Watts & Edward Norton
Passada nos anos 20, a história conta-nos a vida de um jovem casal - Walter e Kitty - que casam pelas razões erradas. Uma história clássica para a época. Um casa por amor, Walter, o outro, Kitty, para fugir à autoridade materna.
Walter, colocado em Xangai, faz com que o casal viva momentos de ruptura, quando Walter descobre a infidelidade de Kitty. Decide então voluntariar-se e apoiar como médico bacteriologista, o surto de cólera que varre a China. Parte para uma aldeia remota chinesa, levando consigo a mulher.
Walter, colocado em Xangai, faz com que o casal viva momentos de ruptura, quando Walter descobre a infidelidade de Kitty. Decide então voluntariar-se e apoiar como médico bacteriologista, o surto de cólera que varre a China. Parte para uma aldeia remota chinesa, levando consigo a mulher.
Sem se deter demasiado na questão política que envolve um país vivendo já algumas convulsões com o império britânico, a trama centra-se sobretudo nas relações interpessoais, apanágio deste sagaz contador de histórias, Maugham.
Mais do que a história em si, demasiado clássica, embora tipifique uma determinada época, a minha motivação centrava-se bastante na beleza das imagens, em serenas paisagens, feitas em Beijing, numa estética rara do fotógrafo Stewart Dryburgh. O mesmo que se juntou a Michael Nyman no lindíssimo filme The Piano (1993).
Edward Norton é um actor muito carismático! E embora não aprecie muitas vezes o tipo de personagens que interpreta, não posso deixar de concordar que se trata de um actor de grande qualidade. Sóbrio, quase impermeável, o seu olhar transmite um distanciamento quase absorto de sentimentos. A sua sensibilidade raramente transparece.
Vira-o há pouco tempo no filme The Illusionist numa história que me agradou profundamente. Aí, Edward Norton mostra-se mais humanizado.
Também aqui, Norton, apesar de manter aquela postura tipicamente britânica, necessária à personagem que interpreta, acaba por deixar fluir alguns sentires na sua relação com as crianças, no hospital, onde faz investigação.
Naomi Watts, no papel de uma mulher mimada da alta sociedade londrina, extrovertida, fogosa e pouco adaptada à sua época, deixa transparecer a ligeireza e futilidade próprias à sua personagem.
Mas ao longo do filme, e colocada perante a dura e pungente realidade que vive na aldeia chinesa, altera o seu comportamento. E acaba por se oferecer para apoiar as freiras no convento, ligado ao hospital, onde seu marido, para além das funções de investigador, presta assistência médica aos doentes terminais.
Aí, demonstra uma alegria esfuziante na sua relação com as crianças chinesas, internas no convento, a quem ensina música num piano desafinado. O piano é uma das sonoridades bem em evidência ao longo do filme, em trechos de grande sensibilidade!
E revela-se, quando toma conhecimento que seu marido está mortalmente afectado pelo vírus epidémico que tanto ajudou a debelar, demonstrando uma dedicação e carinho ilimitados.
O filme desenrola-se num ambiente de grande tranquilidade, onde até os momentos mais dramáticos são vividos com distanciamento e alguma frieza, o que o torna desagradável, por vezes. E o final aparece assim, quase que abruptamente.
É uma história de amor, sim, mas que não chamará o grande público. Aliás, a sala estava quase vazia!
Realizado por John Curran que com Edward Norton fez um trabalho de grande maturação e estudo aprofundado da época, denota uma intenção comum de dar a conhecer um país e sua civilização, a China, nos anos 30.
Um filme de qualidade! Sem dúvida!
"This is one of the finest films of the year"
Chicago Sun-News
Miosótis (pseudónimo)
20.03.2007
Mais do que a história em si, demasiado clássica, embora tipifique uma determinada época, a minha motivação centrava-se bastante na beleza das imagens, em serenas paisagens, feitas em Beijing, numa estética rara do fotógrafo Stewart Dryburgh. O mesmo que se juntou a Michael Nyman no lindíssimo filme The Piano (1993).
Edward Norton
Edward Norton é um actor muito carismático! E embora não aprecie muitas vezes o tipo de personagens que interpreta, não posso deixar de concordar que se trata de um actor de grande qualidade. Sóbrio, quase impermeável, o seu olhar transmite um distanciamento quase absorto de sentimentos. A sua sensibilidade raramente transparece.
Vira-o há pouco tempo no filme The Illusionist numa história que me agradou profundamente. Aí, Edward Norton mostra-se mais humanizado.
Também aqui, Norton, apesar de manter aquela postura tipicamente britânica, necessária à personagem que interpreta, acaba por deixar fluir alguns sentires na sua relação com as crianças, no hospital, onde faz investigação.
Naomi Watts
Naomi Watts, no papel de uma mulher mimada da alta sociedade londrina, extrovertida, fogosa e pouco adaptada à sua época, deixa transparecer a ligeireza e futilidade próprias à sua personagem.
Mas ao longo do filme, e colocada perante a dura e pungente realidade que vive na aldeia chinesa, altera o seu comportamento. E acaba por se oferecer para apoiar as freiras no convento, ligado ao hospital, onde seu marido, para além das funções de investigador, presta assistência médica aos doentes terminais.
Aí, demonstra uma alegria esfuziante na sua relação com as crianças chinesas, internas no convento, a quem ensina música num piano desafinado. O piano é uma das sonoridades bem em evidência ao longo do filme, em trechos de grande sensibilidade!
O filme desenrola-se num ambiente de grande tranquilidade, onde até os momentos mais dramáticos são vividos com distanciamento e alguma frieza, o que o torna desagradável, por vezes. E o final aparece assim, quase que abruptamente.
É uma história de amor, sim, mas que não chamará o grande público. Aliás, a sala estava quase vazia!
Realizado por John Curran que com Edward Norton fez um trabalho de grande maturação e estudo aprofundado da época, denota uma intenção comum de dar a conhecer um país e sua civilização, a China, nos anos 30.
Um filme de qualidade! Sem dúvida!
"This is one of the finest films of the year"
Chicago Sun-News
Miosótis (pseudónimo)
20.03.2007
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