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Saturday, August 01, 2026

Fragmentos da noite com flores : Vinte e Tantos (Pl)anos !

 





via Google Images Archive


Fiquei preso a ti pelos teus olhos doces, um pouco tristes, pelo teu sorriso do tamanho do mundo. 

Pedro Paixão, Ladrão de Fogo, Prime Books, 1ª ed., Abril 2005


Vinte e tantos anos passaram, desde a noite de 21 de Julho 2005 em que iniciei este meu espaço mais intimista. E foi assim...


"Atravessava um desespero feito de mágoas que deixaram marcas desalentadas na alma.

Um ser que amava partiu em grande sofrimento, apesar da luta guerreira que travei para o agarrar à vida. Não quis! Desistiu. E, no entanto, fora um inigualável lutador toda a sua vida!

Um amor verdadeiro, sereno, infinito, escrito na memória dos tempos afastava-se. Aí, parei! Deixei de escrever. Calei."


E pensei que pouco mais escreveria. Pensava em ficar por ali.


Mas outros seres meus partiram, e de coração desfeito, cá voltava eu para poder gritar sem ser ouvida.


Vinte anos passaram. 'Bodas de porcelana'... e mais 1 ! Sim, Fragmentos da noite com flores reflete a elegância e a história única, frágil, como  eu, como todos os que partiram, como todos os amigos que se afastaram ou abandonaram a blogosfera.


Sim, porque esta mudou. Virou influencer, quer para vender, quer para fingir que são o que escrevem, para captar alguém mais incauto 


E chegou a IA! Essa Inteligència Artificial que pensa por nós (será?, que escreve por nós, que copia obras sagradas da literatura mundial e a seguir queima essas obras 'sagradas' pelo tempo. 


Indestrutíveis? Janais poderão ser reescritas, Jamais poderão ser lidas, jamais poderão ser folheadas com aquele gesto de amor que nos leva a comprar um livro, a tactear as suas folhas, a sentir a fragância de cada página, a lê-lo num esquecimento do tempo.


Fiz tantos (pl)anos ! 


Cada vez escrevo menos, De mim, quase nada. Vou deixando palavras que algumas vezes não quero, outras sim me obrigam a deixá-las passar por entre os dedos. 


Excertos que leio ou relembro de livros, histórias de filmes, résteas de pintura, música sempre, pessoas que me tocaram. E deixo, por vezes, exprimir alguns estados d'alma. imagens que visualizei sem as ver, A sensibilidade que me toca. 


Sem querer, outras por querer, passo curtos  momentos do que sou e do que senti ou sinto.


"São as impresssões digitais feitas de centelhas de sentimentos, afectos que teimamos resguardar, mas a força maior emanada da luz interior faz-nos soltar reflexos das fragrâncias do ser que somos."


Transmitem, por vezes a inteligência emocional que me guia, os afectos, as vivências  não vividas. 


Creiam! Não pretendo mostrar-me diferente do que sou. Tudo o que deixei e deixo (entre)ver, eu Sou!


Vivo ainda de utopias sim! Menos ? Não sei ! Uma certeza tenho. Sou eu. Sempre. 


Por quanto tempo ainda vou passando por aqui ?


"A forma de calar. E ouvir no búzio
da orelha o piano de outro mar."

António Lobo Antunes, Livro de Poemas (póstumo)
D.Quxote, Junho 2026, !ªa edição


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, som Les heures douces mix Lunera

02.08.2026

Copyright ©2008-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

Friday, July 21, 2006

Fragmentos da noite com flores : um ano








A Verdade

Tu és bonita.

Tu és feita de sol.

Eu amo-te.


José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão, Temas & Debates, 1ª ed. Outubro de 2002


Um ano passou, desde a noite de 21 de Julho 2005 em que iniciei este meu espaço mais intimista. E foi assim...

Fiquei preso a ti pelos teus olhos doces, um pouco tristes, pelo teu sorriso do tamanho do mundo. 

Pedro Paixão, Ladrão de Fogo, Prime Books, 1ª ed., Abril 2005

Do mesmo livro, retirei a inspiração para a frase de apresentação que escrevi. Corresponde ao que pretendia e continuo a querer passar de mim.

Atravessava um desespero feito de mágoas que deixaram marcas desalentadas na alma.

Um ser que amava partiu em grande sofrimento, apesar da luta guerreira que travei para o agarrar à vida. Não quis! Desistiu. E, no entanto, fora um inigualável lutador toda a sua vida!

Um amor verdadeiro, sereno, infinito, escrito na memória dos tempos afastava-se. Aí, parei! Deixei de escrever. Calei.

Sofri em mim, comigo passearam , à beira ouvida do mar, os desassossegos de todos os tempos. O que os homens quiseram e não fizeram, o que mataram fazendo-o, o que as almas foram e ninguém disse - de tudo isto se formou a alma sensível com que passeei de noite à beira-mar.


Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, ed Ática, 1ª ed., 1982

Até que de mansinho, com a lentidão própria das almas recatadas, fui escrevendo alguns sentires.

Guardo a minha privacidade, bem precioso! É a minha essência! Não quero abrir mão.

Vamos deixando palavras que escolhemos para escrever, excertos que seleccionamos para exprimir alguns estados d'alma, imagens que visualizam a sensibilidade que nos toca. Deixamos, sem querer, passar pequenas résteas do que somos e do que sentimos.

São as impresssões digitais feitas de centelhas de sentimentos, afectos que teimamos resguardar, mas a força maior emanada da luz interior faz-nos soltar reflexos das fragrâncias do ser que somos. 

Transmitem a inteligência, as vivências, os afectos, mesmo que transfigurados. E, como tal, seja qual for a época e as circunstâncias, o importante é o pensamento que se solta, que reflecte a personalidade do ser.


Certo é. Não tento ser ou mostrar-me diferente do que sou, não forjei um arquétipo para fazer sonhar quem passa.

Tudo o que deixei entrever, eu Sou!

Vivo de utopias sim! E sou sempre eu, apesar das travessias de desertos. Longos.



Mesmo sabendo que o mundo acabaria amanhã, plantaria hoje a minha macieira.

Lutero, Sonhar! Ter fé! Helen Exley Giftbook, Editorial Estampa, 2002


Não quero terminar sem agradecer from the bottom of my heart a todos aqueles que poisaram palavras e o olhar em "fragmentos da noite com flores"


aos que deixaram suas pegadas ou não


aos que me dedicaram palavras de beleza sem par porque brotadas da alma


aos que me acolheram carinhosamente em seus espaços


aos que me amam sem me conhecerem nos caminhos que percorro


ao ser que é a sombra de meu ser e que afectuosamente vem, de vez em quando, poisar 
versos, escritos nos silêncios das noites lua de prata


O amor é uma companhia.

Já não sei andar só pelos caminhos,

porque já não posso andar só.
(...)

Alberto Caeiro, O amor é uma companhia, O Pastor Amoroso
, 10-07-1937


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, um ano, ao som de Ben Webster, Tenderly, Jazz Ballads, Membran Musics Ltd., 2004

21.07.2006

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