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Friday, August 29, 2008

em Agosto... uma mulher !





Helena Abreu (aguarela)


Mas que queremos da vida? É a vida? O


que se procura em cada segundo para se perder

em cada segundo? O tempo, assim, de nada
nos serve. Um dia, dando por nós próprios,

perguntamo-nos o que fizemos, por onde

andámos, que cidades e casas percorremos,

sem que uma resposta nos satisfaça. A

vida, então, limita-se a ser o que fez

de nós, sem que o tenhamos desejado, e

nada pode ser feito para voltar atrás, nem

para restituir os passos trocados de

direcção, as frases evitadas no último

extremo, o olhar que se desviu quandonão devia. Ah, sim - e o amor? É isso

que queremos da vida? É verdade...


Nuno Júdice
, Filosofia, 2001




Cueillons les douceurs, nous n'avons à nous que le temps de notre vie.

proverbe perse



Miosótis (pseudónimo)


fragmentos em dia chuvoso que me rouba o sorriso. Olhar longínquo, um singelo ramo de rosas poisado graciosamente, a prece elevada para que mil résteas de luar possam guiar meu ser. Ouvindo Keith Jarrett

30.08.2008

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Sunday, August 28, 2005

Pintura : O que nos diz ?

~




Durius I
Francisco Laranjo, 1993

http://www.sgmf.pt


"Cada quadro encerra misteriosamente toda uma vida, com muitos sofrimentos, dúvidas, horas de entusiasmo e de iluminação. Para onde se dirige esta vida? Donde clama a alma angustiada do artista quando participa da criação? Que quer anunciar?"

Kandinsky, Do Espiritual na Arte, 
Publicações Dom Quixote, 1ª edição, Lisboa, 1987



A pintura traz à nossa alma grandes aberturas para a fuga ao quotidiano.


Quando páro diante de um quadro, nunca sei o que me atrai. Mas a partir do momento em que o meu olhar se prende e perde, percebo que estou a dialogar comigo.

Não tenho pré-conceitos sobre Arte. Nem parto de pressupostos das críticas dos connaisseurs.

Sinto cada espaço visual, suspenso numa parede, como uma aventura transponível, o outro lado do meu universo interior. 



São impressões espirituais. E assim vagueio lentamente, com tranquilidade. 

Sou livre por instantes!



Miosótis (pseudónimo)

texto original, 28.08.2005

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Licença Creative Commons


Thursday, August 11, 2005

Do amor





Aguarela
credits: Julio Resende

Do amor

Um outro toca em partículas da alma e nos percorre, divinamente, em espaços e afectos indecifráveis, fazendo-nos sobreviver aos momentos mais tenazes de sofrimentos e devastação.

Íntimos anseios, 
dádiva de sentires, 
carícias de espuma, 
búzios de ternura 
nos fazem partilhar uma vida 
que sonhámos, mesmo antes 
do início do Universo.


Miosótis (pseudónimo)

texto original, 11.08.2005


Presídio

Nem todo o corpo é carne... Não, nem todo.
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco...?

E o ventre, inconsciente como o lodo?...
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor... Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo...

É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio

vulto da Primavera em pleno Outono...
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!


David Mourão-Ferreira, Variações sobre um Corpo, 
Colecção duas de leitura, Editorial Inova, Porto, 1ª edição

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

08.11.2005
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