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Saturday, June 28, 2014

Tempos frescos, em dias de verão !




Bicicleta | Aguarela 
créditos: Adriana Banfi, 1998
http://www.adrianabanfi.com.br/

Têm sido muito poucas as minhas andanças de lazer por aí. O tempo mantém-se meio fosco, sensaborão, não cheira a calor, nem andam brisas doces no ar.

Gosto de fazer pequenos passeios de bicicleta em final de tarde, de estio convidativo. Mas este ano, têm sido parcas as tardes que me permitam vaguear ao ritmo das duas rodas. 


Assim, peguei no carro, e em jeito de passagem breve, fui até à beira-mar! Precisava respirar! Abrir os olhos para o horizonte.


Estes últimos meses não me têm sido muito amigáveis. O inverno prolongou-se demais, a primavera chegou tardia e curta, o verão teima em não se fazer sentir. 


Se pensar bem, suponho que só fui até à praia, mesmo, dois ou três dias, rarefeitos, enfiados em semanas brumosas ou de ventos muito desconfortáveis.


Cansada deste tempo fora do tempo, e das paisagens citadinas, peguei em mim, e fui ver o mar.


O mar! Esse reduto de temperança, minha paz. Meu recanto de universo!

Esplendoroso, inquietado pelo vento forte, assim o fui encontrar! Revolto, lançava suas ondas largas espraiando-se em véus de espuma até ao areal.

A brisa visível, agreste quase cortante, um céu azul esbatido, e as temperaturas baixas, acolhiam mal os poucos afoitos que por ali buscavam descanso e força para recomeçar uma semana.


De um gesto sereno, protegi-me, cerrando um pouco mais o ligeiro agasalho, e olhei bem fundo o mar, juntando minhas inquietações à sua intranquilidade.


Veio um arrepio mais forte. Era a agressividade do vento que revoltava ainda mais o mar, já de si pouco sereno, trespassando-me sem trégua.


Puxei de novo o agasalho, tentando fazer frente aquela fria, despropositada ventania, para uma tarde que se pretendia ser de verão. 
Olhei uma vez mais a distância azulada sem fim, virei o carro e vim embora. Mesmo assim, meu olhar notava-se menos irrequieto.

De volta a casa, cruzei ainda os sons finais deste dia de S. Pedro, numa praça da cidade, sorri. O manjerico ainda se mantêm viçoso, lá em casa - pensei, agradada.






Quarto | Óleo sobre tela
créditos: Adriana Banfi, 1998

É que os seus aromas - antes de deitar, gosto de passar os dedos soltos, suavemente pelas folhas - acompanham-me até adormecer.

Trazem odores de infância, de família buliçosa, numa miscelânea de paisagens soltas como folhas de um álbum visual imaginário.


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores


29.06.2014

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Sunday, November 02, 2008

Pensando...




Adriana Banfi (aguarela 1991)




Adriana Banfi (aguarela 1991)



flores brancas da pera

e uma mulher no luar
lendo uma carta


white blossoms of the pear

and a woman in moonlight
reading a letter


Yosa Buson

Um dia, não sei em que vida, em que passagem, mas um dia, eu sei, esse dia... o perfeito amor vai chegar e vai poisar em meu regaço duas mãos cheias de mar. E em uníssono, as estrelas cintilantes ouvirão pronunciar: "Quero-te profundamente"!


Nesta noite de Novembro frio, revejo muitas noites de luar que se transformavam em fragmentos de sinceros sentires, deixados aqui, com um toque de nostalgia, muita esperança, alguma alegria, sonoridades de paz, desassossego, impregnando assim meus pensamentos de flores com fragrâncias doces, aromas de maresias e alquimias.

Não vou dizer que nada mais sinto para escrever.... sinto, sinto! Mas se tenho vontade de escrever? Nem sempre! 
Como se uma mão poisasse em meus lábios um secreto gesto de silêncio. 


Já tentei algumas vezes, obedecer a essa invisível vontade, mas depois bate-me aquela vontade íntima de escrever. Por vezes!

Prefiro escrever à medida que vou sentindo desejo íntimo de cuidar...

"Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se juntarem às mãos. Depois saberei tudo. Não se sabe tudo, nunca se saberá tudo, mas há horas em que somos capazes de acreditar que sim, talvez porque nesse momento nada mais nos podia caber na alma, na consciência, na mente, naquilo que se queira chamar ao que nos vai fazendo mais ou menos humanos."

José Saramago

Miosótis (pseudónimo)

©texto original

02.11.2009

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fragmentos da noite, em tonalidades gélidas que deste lugar descortino. Uma janela poisada sob os telhados da cidade calma.


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