December
"God gave us memories that we might have roses in December."
J. M. Barrie
E entrou Dezembro. De repente se fez frio. E o firmamento se mostrou carrancudo. Deixou de nos aquecer o olhar. Vestem-se agasalhos.
Cada espaço envolvente é mais árido, mais frio. Transformam-se as emoções em pequenas partículas de chuva, suaves, escondidas na mancha cinza-rato. A paisagem até há dias azul, luminosa, acolhedora, desapareceu.
Deu-se, agora sim, o início de uma nova estação. O Inverno. A natureza já está em hibernação. Os pássaros não se ouvem. As gaivotas, aqui nascidas, dificilmente voltam.
As árvores nuas. As iluminações de Natal tentam dar-lhes cor e algum movimento.
Depois do café bem fumegante da manhã, olho lá fora. Já sinto falta dos retalhos verde-esperança.
Os dias são curtos. Tristes. O peso das nuvens sente-se. Desapareceram aqueles cambiantes amarelo-ocre, vermlhos-tijolo e castanhos-terra. Era Outono. Agora tudo é cinzento. Voltou o Inverno.
Os sons já não entram, trazidos pelo cântico da brisa. Dezembro, mês de eternidade. Dezembro recolhe com seu manto os seres frágeis. E já foram alguns, os que partiram. Rosas de Dezembro.
Miosótis (pseudónimo)
08.12.2017
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