
Já escrevi sobre a força da imagética no meu universo visual. Como sou um ser muito introvertido, vivo muito virada para meus próprios pensamentos, aventurando-me em mil cenários, onde as imagens entram em profusão, servindo de fundo, muitas vezes, a pequenos textos que me atrevo a escrever.
São ideias simples, brotadas de sentimentos profundos que constante e incondicionalmente não me cabem no peito.
E fogem, fogem, quase explodindo de encontro ao universo que me sustenta e mas reenvia. É como um grito mudo que sai e volta!
Esta imagem foi um deslumbramento! Que me atraiu? Não sei descrever! Só sei sentir!
As palavras são tão limitadas! São sim margens para outros espaços, outras vibrações, mas não conseguem nunca exprimir sentimentos quando muito intensos, mesmo os estéticos!
E esta imagem é intensa, forte, suave ao mesmo tempo, de uma beleza serena, emotiva.
A brancura anilada da neve torna-se quente neste tom rosado matizado de dois flamingos que se passeiam com tanta tranquilidade.
Não sei se buscam alimento! Podem fazê-lo pelo prazer de sentir os raios solares reflectidos da paisagem gelada na sua plumagem macia!
Como é misterioso o passeio de dois seres, desprovidos de alma, reagindo apenas aos instintos da natureza que os envolve!
E se entregam, nesse deambular, sem o temor de estar a dois, fruindo do bem estar do Universo.
"No silêncio da terra. Onde ser é estar."
António Ramos Rosa, No silêncio da terra
Miosótis (pseudónimo)