Wednesday, January 20, 2016

Não tem sido fácil...





Não tem sido fácil. Não, não tem sido fácil ser mais assídua no meu canto mais intimista. 

Já escrevi várias vezes em diferentes contextos. Não é só falta de tempo, é essencialmente uma definição do querer, não querer. O silêncio é mais presente nas minhas noites de Inverno. Pesado. Ensurdecedor.

Talvez esteja a fugir da causa mais profunda. O desaparecimento de afectos, de pessoas. A fragilidade de vidas por um fio.

Por muito que se queira olhar com um certo distanciamento, não está a ser fácil. A nossa afectividade está lá.

O Natal, essa época de paz, não trouxe mais apaziguamento. Revelou com maior incidência, a ausência das coisas, dos gestos, dos afectos que nos prendem às pessoas. Silêncios.

E trouxe também outos medos. Outras incertezas.

Ainda assim, quero voltar a estar aqui. E quero estar com mais regularidade. Não posso prescindir deste meu refúgio nocturno. Recolhimento.

De qualquer forma, posso sempre começar por dizer algo sobre alguns temas que se identificam com minha sensibilidade. É ir passando por este cais.

(...)

Ah, quem sabe, quem sabe,
Se não parti outrora, antes de mim,
Dum cais; se não deixei, navio ao sol
Oblíquo da madrugada,
Uma outra espécie de porto?
Quem sabe se não deixei, antes de a hora
Do mundo exterior como eu o vejo
Raiar-se para mim, (...)

Álvaro de Campos, Ode Marítima

Miosótis (pseudónimo)

19.01.2016
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Wednesday, January 06, 2016

Post-Ano : Turn your magic on




créditos: Mario Sanchez Nevado

Entrei em 2016 sem uma lista de desejos de ano novo. Com o passar de cada ano, o meu desejo mais sincero é que consiga aproveitá-lo como se fosse o último, e saborear cada curto momento de serenidade ou beleza. Manter um equilíbrio entre tudo o que me deixa seduzida pela vida. E é tanto!

E porque nesta acrobacia, cada elemento tem um papel muito importante, deixei de ter o hábito de abdicar totalmente de um em detrimento dos outros. 

Em 2016, tal como até agora, não tenciono adiar sonhos, loucuras, desejos simples. Não tenciono pôr 'pausa' em quem sou, até porque nem existe em nós a a opção 'replay'.

Comecei o ano com alguns desafios e ansiedades. Daí estas considerações mais contemplativas do que simples votos de 'paz, saúde e alegria'. 

Mas claro que vos desejo tudo isto. Paz, saúde, alegria. Na medida de cada um de vós.
  
Não quero que 2016 seja o melhor ano da minha vida. Desejo antes que seja só mais um de tantos anos bons e, dentro do possível, farei uma gestão de escolhas compatível com a minha felicidade e a daqueles que me rodeiam.
                
Alguns dos melhores e dos piores momentos que me aconteceram na vida, rondaram as doze badaladas. Não sou supersticiosa, creio nos sinais, desconfio do destino, fujo dos azares, acredito nos acasos.

Cada data tem a importância que lhe damos e o que a preenche não depende do que aconteceu antes, mas do queremos fazer e/ou experienciar daí em diante.

É uma noite como tantas outras? Não é bem! A carga simbólica que lhe damos de renovação, não nos permite ver a noite de passagem de ano, como mais uma noite. Mas a noite!  Turn your magic on... aqui

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
06.01.2016
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