Friday, August 21, 2015

Uma tarde de verão





woman on the beach 
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Voltei à praia. Adoro mar, o calor do sol que bate no corpo, a luminosidade que entra na alma, o marulhar suave, de vez em quando, interrompido por vozes que supõem estar e casa, como se tudo à volta fossem paredes.

O tempo incerto, alguns cuidados, me mantiveram afastada. Num tempo que adoro! O verão. 

Até que ontem, o sol, a brisa quente, me bateu em cheio, adentrando-se pelas janelas, vizinhas do firmamento. Saí à varanda para sentir o ar que me tocava. Muito agradável. Então, estava decidido. Ir à praia.

Que sensação boa! Sair do carro, e sentir que não havia vento à beira-mar. Apanhar o saco, com aquelas pequenas coisas que todas as mulheres gostam de ter consigo na praia. Creme solar, pareo, uma garrafa de água. 

Ah! Não podia faltar um livro. A minha escolha de verão? "A Ilha" de Sándor Marái. Lembram "As Velas Ardem Até ao Fim"? Esse mesmo.

O tema passado numa estância balnear, um professor ligado à filosofia, inspirado por Platão, ambiguidade do amor, Viktor Askenasi. A personagem remetia-me para o grande pianista Vladimir Ashkenazy. Culto de momentos de música clássica. 

Música, filosofia, busca da felicidade, verão. Conhecendo o escritor, motivos suficientes para esta escolha. Sim, clima perfeito para uma tarde inspiradora. E de muita serenidade.

Muita gente na praia. Mas sem aquele amontoado de pessoas, que mal nos dão espaço para uma certa privacidade. Distanciamento quanto baste.

Estendi o pareo. E sentando-me, fiquei primeiro a olhar o mar. Aquele mar, paraíso de liberdade, que tanto me apazigua. Inspirei. Longamente. E expirei, com uma sensação de bem estar e tranquilidade que só o ar livre à beira-mar, sentindo a areia quente, me traz de volta.

O  mar estava calmo, mas sem aquele verde-claro, translúcido. Quase ninguém na água. Gelada, ouvia-se em volta. Preferi o calor da areia, o sol reflectindo-se na água, batendo nas páginas do livro que folheava, embrenhada na leitura.

Voltei ao final de tarde. o sol baixava no horizonte. E a temperatura descera.

Uma tarde sublime, onde nada faltou. Regressei com novas energias, a chave secreta para recomeçar. Ficou em mim o aroma da maresia desfragmentado entre as palavras lidas. 

Aspirações delicadas. 

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
21.08.2015
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Thursday, August 06, 2015

A Hiroshima




créditos: Mariane Bach, Bach

Foi há 70 anos. Mas o mundo não esquece. Por mais que se procurem as palavras. Não saem.


Lágrimas. 

Silêncios recolhidos. 

Paz a todas as almas.

Rosa de Hiroshima. Um poema escrito pelo cantor e compositor Vinícius de Moraes . O título é uma metáfora em protesto sobre a explosão da bomba atómicas na cidade de Hiroshima, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.



Bomba sobre Hiroshima

E rosa por que razão? A bomba é comparada com uma rosa, porque quando explode, parece uma rosa depois de desabrochar. 

Uma rosa quase sempre ligada à beleza da natureza. Aqui, no poema, remete para a 'rosa' de Hiroshima e suas horríficas consequências.

Já em 2006 publicara o poema A Rosa de Hiroshima. Mas continua a ser a mais bela homenagem feita de palavras.




Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rosas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas, oh não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica

Sem cor, sem perfume

Sem rosa, sem nada


Vinicius de Moraes, Rosa de Hiroshima


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos com flores, som de Rosa de HiroshimaNey Matogrosso ( ao vivo, USM, 2004)

06.08.2015
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