Monday, November 27, 2006

She: uma canção de coração



Fotografia: Valentina Petrova | AFP




She
May be the face I can't forget.
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay.
She may be the song that summer sings.
May be the chill that autumn brings.
May be a hundred different things
Within the measure of a day.

She
May be the beauty or the beast.
May be the famine or the feast.
May turn each day into a heaven or a hell.
She may be the mirror of my dreams.
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell

She who always seems so happy in a crowd.
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry.
She may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past.
That I'll remember till the day I die

She
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years
Me I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is
She, she, she

Elvis Costello, She

Uma canção que ficou irremediavelmente suspensa em minh'alma...



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

27.11.2006


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Saturday, November 18, 2006

Fantaisie d'Automne





Kenzo
Fotografia: Remy de la Mauvinière | AP

http://news.yahoo.com/photos

L'amor n'est pas seulement un sentiment,
il est aussi un art!

Honoré de Balzac

Monologue de la Solitude

La solitude on l'a dans le coeur, pas au jour le jour.

Si on te dit de rire et tu n'arrives qu'à sourire, alors tu as une âme solitaire. Et tu te dis:

- Fuis le temps, empêche le vent, regarde le ciel, dessine du bout des doigts une étoile…

Eh! Oui! Pourquoi pas! Et tu prends ton coeur, tu ouvres la petite fenêtre et tu commences à illustrer ta vie.

- Que vois-tu?

- Un ciel immense, une mer d'argent, de la musique au timbre magique, des mots de tendresse, un baiser douceur, la profondeur.

- Tout ça!?

- Oui!

- Et quelqu'un écoute ton chant?!

- Non! Personne!

- Mais il y a des gens qui croisent ton chemin, non?!

- Si! Mais ils ne me voient pas! Ils marchent distraîts.

Ils ne regardent que l'immédiat.
Pas les parfums.
Rien que des odeurs!

C'est ça la solitude…



Miosótis (pseudónimo)

©texto original
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fragmentos da noite com flores

18.11.2006

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Sunday, November 12, 2006

O Perfume : o filme, o livro






Perfume - The story of a murderer
Imagem: http://i25.photobucket.com

"Há uma força persuasiva no perfume que é mais convincente do que as palavras, do que a aparência visual, do que o sentimento e a vontade."

in O Perfume - História de um assassino, Patrick Süskind

Toda a leitura, mesmo em silêncio, é fantasiosa de sonoridades! As palavras ressoam, soltam-se em timbres que ecoam em nós como aromas de sonho e maravilhamento!




O Perfume
Patrick Süskind
Editorial Presnça, 1994

O Perfume, romance do escritor alemão Patrick Süskind é um livro que permaneceu sempre no meu imaginário. Estranho e controverso, puro prazer de ler uma história envolta em fragrâncias.

Expressões me aromatizaram! Outras nuances do ser humano chegaram até mim!

Também eu não sou a mesma. 
Descobri cambiantes que, em outros momentos, não se mostrariam tão motivadores para se colarem aos meus sentidos.


A história da solidão humana impregnada de luxuriantes fragrâncias, pétalas de flores poisadas, transpostas para os odores que passam através do corpo e que só provêm da essência - a alma.





Perfume: The Story of a Murderer, 2006

E tudo isto para chegar ao filme - O Perfume - realizado por Tom Tykwer (2006) esplendorosamente narrado por John Hurt. Um dos mais talentosos actores.

Novas gradações, subtis aromas, grandes ensinamentos, perfumes que se soltaram em tons d'alma e deixaram os olhos dos espectadores inundados de beleza, apesar do macabro, num jogo de imagens que o realizador soube impregnar de estética.

Aspirei e ouvi todas as tonalidades, o ar que respirava, a cadência da brisa que aflorou, me tocou, atravessando-me numa dicotomia entre macia, aterradora, quente, gélida, acariciadora, agressiva.




Jean-Baptiste Grenouille/ Ben Whishaw 
Perfume

Foi uma nova leitura! Fascinada, segui suspensa da imagem odorífica deslumbrante, pungente, de um ser tão humanamente triste e solitário.

E senti os odores, os aromas envolventes, a cada inspiração profunda, oscilante. Sinestesias de cheiros acres, ácidos, suaves, doces, enriquecidos com a especiaria dos sentidos. 

O aroma de uma alma imensamente só ficou suspenso em mim sussurrante, perfumada pela sua imensa dor!



Perfume

Fotografia de infindável perfeição estética, exuberante, visual e pictórica de Frank Griebe.

E assim passo da leitura para a música, um mundo de êxtase transbordando em sons, melodias, esparsas de profunda sonoridade.

Aspersão de fragrâncias visuais e sensitivas de incomensurável leveza.

As músicas, as leituras, os filmes são indissociáveis. Sonoridades, aromas, sentires longínquos de litanias e reminiscências.

(...)
o perfume azul de um corpo adivinhado
ou um oásis de silêncio a brancura de um lírio
que nascesse do seio do espaço

Branca dourada ou transparente

flexível como a água ou uma folha oval
apenas esboçada vacilando
luz misteriosamente pura
inacessível já voando para o alto.

António Ramos Rosa, Antologia Poética, Publicações Dom Quixote, 2001


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite, música de Tom Tykwer, Johnny Klimek e Reinhold Heil, executada pela Orquestra Filarmónica de Berlim

12.11.2006
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Sunday, November 05, 2006

O Ilusionista : filme





The Illusionist, 2006
http://www.imdb.com/

"He's a Magic Man."

Karen Durbin (
ELLE)


Sábado chuvoso. Nada melhor do que uma sessão de cinema. Entre música, livros e cinema, eis as três sombras por onde divago nestes silêncios da vida.

Apressadamente, passei os olhos pelo sítio web oficial do filme The Illusionist e logo dois actores - Edward Norton e Paul Giamatti - me convenceram de imediato. Sem hesitação!

Paul Giamatti, intérprete do bem recente The Lady of the Water, Edward Norton em papéis controversos, de grande qualidade e nobreza de interpretação. Um porte esplendoroso!

Uma fábula elegante baseada na obra Eisenheim The Illusionist do premiado Pulitzer Stephen Millhauser por onde perpassa a arte, o amor e a intriga política na Viena barroca dos Habsburgs, no virar de 1900.

Uma alquimia latente desde o primeiro encontro de um ilusionista de origem humilde com uma jovem duquesa. Um e outro vão deixar seus corações irremediavelmente presos num amor proibido.




Edward Norton

Afastados durante anos, voltam a cruzar-se mais tarde, quando ele volta à cidade, numa trama que ultrapassará toda a previsibilidade dos espectadores pelo tom convincente, majestoso, enigmático que Edward Norton imprime tão naturalmente à personagem.

O jovem ilusionista de quem se desprende um imenso magnetismo, obtido segundo uma das lendas, ao cruzar-se com um mago durante um passeio campestre, consegue convencer o ambicioso inspector policial - Paul Giamatti - para quem a magia e o ilusionismo são, ao mesmo tempo, um forte atractivo e fonte de entretenimento nas horas de ócio.

Um filme cativante, numa adaptação talentosa de Neil Burger, realizador de Entrevista com o Assassino (2002) construída num elo que gira em volta de ingredientes tão fascinantes como romance, intriga política palaciana, mesclados de hipnose, com muitos conceitos freudianos, e suspense, numa senda de pistas habilmente encadeadas, e encontros sabiamente forjados.



O Ilusionista

A noção de tempo que este mágico apresenta a partir de uma laranja que depois de extraída a semente, se transforma numa laranjeira em pleno representação é espantosamente filosófica e deixa-nos pensativos sobre o que todos nós fazemos do tempo ou sentimos acerca dele.

O lenço de mão que esvoaça seguro por duas cintilantes borboletas - a simbólica da borboleta tem uma forte incidência amorosa na trama - até à espada do herdeiro, em incursão sobre Excalibur, ligada às lendas arturianastudo isto faz deste filme um incrível momento de magia, beleza, atravessado sempre de mistério e magnetismo que passa da audiência do teatro local, para a sala de cinema, já que filmado subtilmente em luz muito ténue e difusa, até ao momento do desvendar da verdade.




Edward Norton & Jessica Biel
The Illusionist

Aí, a tela inunda-se de luz num ambiente contrastante, campestre, chamando à realidade os espectadores, como se despertados fossemos de um sono hipnótico onde o encantamento prevaleceu num toque de magos.


De assinalar a banda sonora do renomado compositor de música contemporânea, Philip Glass, sóbria, minimalista, realçanso mais o suspense que atravessa todo o filme, bem como a fotografia esplendorosa de Dick Pope num jogo contrastante de claro/escuro.

"Romantic... smart... gorgeous!"

Bob Mondello,
NPR


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite e dia, impregnados de chuva e sol, em tons de azul-breu, cinza-azul claro, luminosidades contrastantes d'alma, em tempo de interioridade.

4/5.11.2006

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